Ex-diretor do BC diz que reservas poderiam aumentar mais

O economista-chefe para América Latina do ABN Amro Bank e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, disse nesta segunda-feira que ainda há espaço para o Brasil aumentar suas reservas. Após constantes compras de dólares feitas pelo BC, as reservas internacionais subiram para US$ 98,990 bilhões na última sexta-feira e devem chegar a US$ 100 bilhões esta semana, o maior nível já registrado. Segundo o ex-diretor do BC, não é possível dizer qual o limite de reservas ideal e que existe um "nível ótimo" para cada país. "US$ 100 bilhões não é um nível ótimo (para o Brasil). Tem espaço para melhorar", avaliou em entrevista ao Broadcast Ao Vivo - serviço de informações financeiras da Agência Estado. Para Schwartsman, existe um custo em aumentar as reservas, mas os benefícios por enquanto são maiores e o principal deles é proteger o país de choques externos, reduzindo as probabilidades de o país sofrer com turbulências internacionais, como a de maio do ano passado. "Aumentar as reservas faz parte da estratégia para o País chegar a grau de investimento", afirmou. O economista ressaltou ainda que apesar de ser importante, o custo do aumento de reservas tem diminuído. "O diferencial era maior há 15, 18 meses e a perspectiva é de que continuará caindo", disse. Este custo é a diferença entre os juros que o BC paga no mercado interno e as taxas que ele recebe no mercado externo.Demanda doméstica De acordo com o economista, a demanda doméstica deve ser o grande motor do crescimento da atividade brasileira este ano. "A demanda doméstica já vem numa toada bastante boa há algum tempo", afirmou, acrescentando que sua estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 é de 4,00%, mais positiva do que a da maior parte do mercado financeiro. Na pesquisa Focus divulgada esta manhã pelo BC, a mediana das estimativas para o PIB de 2007 manteve-se em 3,5% pela 26ª semana consecutiva.O economista do ABN salientou que se for avaliado em conjunto o desempenho do consumo e do investimento dos quatro trimestres de 2006 até o terceiro, o crescimento em relação aos mesmos períodos do ano anterior está próximo de 4,5%. Schwartsman preferiu não utilizar os dados referentes aos últimos três meses do ano passado porque, na ocasião, eles já mostraram mais força. "Não é uma taxa pequena de crescimento. A gente já viu sinais de aceleração de consumo e de investimento", considerou. Para este ano, os modelos do ABN apontam para uma estimativa de expansão de 5,5% a 6,0% para estes dois indicadores, em conjunto. "Estas taxas são próximas às observadas em 2004", comparou. Ele minimizou, desta forma, a possível preocupação com o hiato do produto porque, segundo ele, estes dois indicadores não necessariamente vão crescer na mesma magnitude. A expansão dos investimentos, na análise do economista, tem vindo num ritmo de crescimento mais forte do que o do consumo. De acordo com ele, nos 12 meses terminados em setembro do ano passado, o crescimento do consumo tem ficado levemente abaixo de 4%, enquanto o do investimento supera 5%. "Enfim, investimento vem vindo numa toada bastante positiva."

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