Ex-diretor do BC: política monetária não muda sem Bevilaqua

A saída do diretor de Política Econômica do Banco Central, Afonso Bevilaqua, não mudará nada na política monetária, segundo avalia o ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas. Para ele, é provável que a taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13% ao ano), não caia além de 0,25 ponto na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e a principal mudança ocorrerá na ata do Comitê que, segundo o economista, é mais importante para a trajetória dos juros futuros do que a decisão efetiva sobre os juros."As regras do jogo estão dadas, as metas de inflação estão definidas", argumenta o ex-diretor de Política Monetária do Banco Central. Para ele, a principal mudança com a saída de Bevilaqua será a ata do Copom, que tem "uma posição mais pessoal" do diretor de Política Econômica do banco e "traz uma mensagem". Nas atas de Bevilaqua, diz o economista, a palavra parcimônia foi bastante usada e "é uma palavra forte de cautela, que tem levado as taxas futuras de juros a caírem lentamente, a entrar mais dólar". Ele acredita que "a ata é até mais importante do que a decisão, porque dá uma trajetória dos juros". O economista acrescenta que "a certeza que a ata do Copom tem trazido de queda lenta dos juros tem trazido muito dólar para o País".Thadeu de Freitas acredita que seria positivo se a ata trouxesse mais incerteza no momento, "para não dar muito espaço para os especuladores". Ele avalia que a saída de Bevilaqua aconteceu porque o diretor "assumiu muito a queda lenta dos juros, personificou mais que o próprio presidente do banco". O economista acredita que a saída mostra "uma fadiga do diretor que assumiu pessoalmente na ata do Copom uma estratégia de reduções homeopáticas e estava desgastado com essa estratégia". Para ele, a trajetória da Selic a partir de agora dependerá do dólar. "É preciso que o especulador tenha dúvidas para não entrar uma enxurrada de dólares no mercado", disse.

Agencia Estado,

02 de março de 2007 | 11h39

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