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Ex-diretor geral do FMI será julgado por proxenetismo

Domenique Strauss-Kahn pode pegar até dez anos de cadeia e ter de pagar multa de R$ 4,5 milhões

26 de julho de 2013 | 16h45

PARIS - O ex-diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) sentará no banco dos réus na França para responder pelo crime de proxenetismo (obtenção de vantagem econômica da prostituição). As investigações concluíram que ele tinha uma rede de prostitutas a seu serviço, organizada por um grupo de conhecidos.

Strauss-Kahn terá de responder ao Tribunal Correcional de Lille por proxenetismo agravado em grupo, um delito castigado com até 10 anos de prisão e multa de 1,5 milhão de euros, o equivalente a R$ 4,5 milhões. Outras 12 pessoas respondem junto com ele.

Um outro acusado acusado de cumplicidade, fraude e abuso de confiança também irá ao banco dos réus no julgamento que está sendo chamado de "o caso do hotel Carlton de Lille. O nome da rede de hotéis é o lugar onde se organizavam as brincadeiras sexuais do grupo, especialmente em Paris e Washington.

 

Advogados dos acusados, que haviam pedido arquivamento das acusações contra o ex-ministro das Finanças, terão um mês para decidir se recorrem da decisão dos três juízes instrutores, mas eles devem dar a resposta já nos próximos dias. Se não houver recurso, o julgamento pode ocorrer em um ano.

Entre os acusados no grupo do ex-dirigente socialista, que teve de pedir demissão do posto no FMI - por envolvimento em outro escândalo sexual envolvendo uma camareira de um hotel em Nova York em maio de 2011 -, há um comissário de polícia, empresários e um conhecido proxeneta belga.

Domenique Strauss-Kahn, conhecido pelas siglas DSK, foi acusado em março de 2012, depois que uma maratona de 32 horas de depoimento perante a três juízes instrutores.

Defesa. Hoje sua reação tem sido por meio de advogados, que divulgaram um comunicado no qual denunciaram que os magistrados teriam atacado seu cliente.

O relator da defesa, Richard Malka, afirmou a uma emissora de TV que "não é surpresa" que DKS terá de comparecer ao tribunal correcional, tendo em vista a forma como o processo vem se desenvolvendo na fase de instrução.

O advogado assegurou que não há nenhum fato que caracterize um delito penal. Caso existisse, segundo ele, a justiça estaria incriminando qualquer outra pessoa que fosse cliente de qualquer prostituta. "É um julgamento ideológico", acusou.

Uma visão bem diferente é a do advogado de acusação Yves Charpenel, que em outra entrevista à mesma emissora afirmou que DSK "dificilmente se pode duvidar" que as mulheres com as quais mantinha relações eram prostitutas, como pretendeu fazer crer na fase de instrução do processo.

Charpenel afirma que não importa saber se o acusado era cliente de mulheres que ofereciam sexo por dinheiro, mas sim o fato de que ele colocou em funcionamento uma rede para se beneficiar dos serviços através de um grupo de conhecidos.

Strauss-Kahn conseguiu encerrar em dezembro do ano passado, ao menos formalmente, o caso da acusação de ataque sexual à camareira de Nova York, com a qual estabeleceu um acordo de indenização secreto.

Em maio de 2011, antes dos escândalos, Strauss-Kahn aparecia em pesquisas como favorito para ganhar a primária dos socialistas franceses para as eleições presidenciais de 2012.

Nos últimos tempos, além de separar-se da mulher, a conhecida jornalista Anne Sinclair, que tanto o apoiou no processo nos Estados Unidos, Strauss-Kahn se converteu em consultor e conferencista especialmente fora da França.

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