Ex-embaixador diz que restrição argentina ao Brasil é suicídio

O ex-embaixador do Brasil na Argentina José Botafogo Gonçalves disse hoje que se as restrições impostas pelo governo argentino à entrada de produtos brasileiros não estiverem vinculadas a um plano de recuperação para o setor produtivo do país, elas aprofundarão ainda mais a ineficiência da indústria argentina. "Me dá a impressão de que a indústria argentina está se voltando para o mercado interno. Essa é uma política suicida", disse o diplomata, que esteve à frente da embaixada nos últimos três anos.De acordo com ele, não é a primeira vez, desde que se instauraram as regras para a União Aduaneira do Mercosul, que setores da indústria argentina exigem a imposição contra os produtos brasileiros. O pior, disse, "é que se tratam dos mesmos setores". Para o ex-embaixador, a decisão complica o desenvolvimento do Mercosul e fere as regras do direito comercial internacional. "Trata-se de uma abandono do princípio do livre comércio e da implementação de um comércio administrado", afirmou. Botafogo Gonçalves destacou a urgência de se chegar a um acordo para resolver esses problemas que se arrastam há mais de dez anos. "Acho que o Brasil tem todo interesse de que a economia argentina prospere. É um bom negócio para o País", disse.Ele sugeriu como solução para o impasse o estudo, a análise e depois a criação de cadeias produtivas entre os dois países para tornar a indústria mais eficiente. "Esse é o caminho. E não o de ir artificialmente atendendo interesses das empresas para ganhar eficiência na cadeia produtiva. Mas, infelizmente, a idéia de unificar mercados não foi totalmente absorvida pelos setores produtivos dos países do Mercosul", disse.

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