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Ex-Fed desculpa-se por relaxamento quantitativo

Em artigo para o Wall Street Journal, o ex-membro do Federal Reserve Andrew Huszar, responsável por executar o programa de compras de bônus da instituição (QE) em 2009, pediu desculpas e disse que o programa nada mais é do que o maior resgate a Wall Street de todos os tempos. "Desculpe-me, Estados Unidos", ele diz, no início do texto.

STEFÂNIA AKEL, Agencia Estado

12 de novembro de 2013 | 14h18

Huszar trabalhou no Fed por sete anos antes de trocar o banco central por Wall Street. "Saí por frustração, após ver que a independência do Fed estava erodindo", afirma. Em 2009, ele foi chamado de volta para ajudar a gerenciar o QE, que tinha como objetivo comprar US$ 1,25 trilhão em bônus hipotecários em 12 meses. Após alguma hesitação, ele aceitou.

"Trabalhamos incansavelmente para passar a impressão de que sabíamos o que estávamos fazendo. O banco central continua a falar do QE como uma ferramenta para ajudar as famílias e empresas. Mas hoje reconheço o programa pelo que ele realmente é: o maior resgate a Wall Street de todos os tempos", diz o economista.

Segundo ele, apesar da retórica do Fed, o programa não estava tornando o crédito mais acessível para os americanos e os bancos concediam cada vez menos empréstimos. Huszar afirma que Wall Street embolsou todo o dinheiro extra do QE, beneficiando-se do custo menor para tomar empréstimos.

A primeira rodada de QE terminou em março de 2010 e, para o ex-membro do Fed, os resultados confirmaram que, para as famílias, o efeito foi trivial. "Já Wall Street teve o ano mais lucrativo da história em 2009", ressalta. Alguns meses depois, após nova fraqueza do setor bancário, o Fed anunciou o QE2. "Foi aí que eu percebi que o Fed havia perdido a capacidade de pensar independentemente de Wall Street. Desmoralizado, voltei para o setor privado", diz Huszar.

No fim do texto, o economista avalia os resultados do QE atualmente, destacando que as compras de bônus ultrapassaram US$ 4 trilhões e que os bancos americanos viram os preços de suas ações triplicar desde março de 2009. "Surpreendentemente, em uma nação supostamente de livre mercado, o QE se tornou a maior intervenção de um governo nos mercados financeiros da história."

Huszar chega a desejar boa sorte ao país, lembrando que as contínuas injeções de dinheiro na economia "mataram" a urgência de Washington lidar com a "verdadeira crise": a de uma economia estruturalmente fraca.

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