Ex-Ford, Maciel Neto vai presidir grupo Caoa

Empresário deixa comando da Suzano em dezembro e volta ao ramo automotivo

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h04

Antonio Maciel Neto, que por sete anos comandou a Ford do Brasil e América do Sul e desde 2006 preside a Suzano Papel e Celulose, volta ao setor automotivo. No início do próximo ano ele deve assumir a direção do Grupo Caoa, do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade. Após 33 anos à frente da empresa criada por ele e que leva as inicias de seu nome, Andrade, de 68 anos, decidiu profissionalizar a direção e ficará no conselho.

O Caoa é um dos maiores revendedores de carros no País, com 120 lojas das marcas Hyundai, Ford e Subaru. Também é dono da fábrica que produz veículos comerciais sob licença da Hyundai em Goiás.

Maciel informou ontem, por meio de sua assessoria, que "assumiu compromisso de apenas falar sobre mudança profissional quando as negociações estiverem ajustadas".

Sua saída da presidência da Suzano (que opera no vermelho e está vendendo ativos para reduzir dívidas) foi anunciada na semana passada. Ele fica no cargo até 31 de dezembro, mas seguirá membro do conselho. A ida para o Grupo Caoa foi antecipada pela coluna de Sonia Racy.

Andrade chegou a convidar para o cargo o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Embora não tenha aceitado, ele é visto com frequência na sede do grupo Caoa em São Paulo.

Fama. Maciel é conhecido no mercado como recuperador de empresas. No período em que esteve na Ford, de 1999 a 2006, liderou processos como a instalação da fábrica na Bahia para produzir o Fiesta e o EcoSport. Após anos no vermelho, a companhia voltou ao lucro e manteve-se no quarto posto do ranking das maiores fabricantes locais.

Também reergueu a Cecrisa, de pisos e revestimentos. Em 1993, ao assumir a companhia, havia oito pedidos de concordata na Justiça, 1,2 mil credores e nenhum crédito na praça. Deixou-a como uma das mais sólidas do setor. Passou ainda pela Ferronorte, onde reduziu o passivo financeiro em cerca de 70%. Trabalhou na Petrobrás e foi secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio no governo Collor.

À frente do Grupo Caoa, Maciel, de 54 anos, vai coordenar o início da produção de um novo utilitário em Anápolis (GO), o iX35, projeto orçado em US$ 300 milhões, segundo Andrade. A fábrica já produz Tucson e HR.

Um dos desafios será o de administrar a parceria com a coreana Hyundai, que inaugurou fábrica própria em Piracicaba (SP), onde produz o compacto HB20. Caoa é importador exclusivo da marca e, junto aos veículos que produz, vendeu 114,9 mil unidades em 2011. Foi o 9.º na lista das maiores montadoras. Neste ano, até outubro, foram 74 mil unidades vendidas, queda de 20% em relação a igual período 2011, resultante da alta de 30 pontos porcentuais do IPI para importados.

Nos últimos anos, Andrade negociou com várias marcas chinesas a produção local de veículos, entre as quais a Great Wall e a BYD, mas não houve acordo até agora. A ideia era um investimento próprio, mas para a produção de carros chineses, no mesmo molde do acordo com a Hyundai.

Andrade está fora de São Paulo e não foi localizado ontem para comentar o assunto.

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