Ex-funcionário do Credit Suisse é detido em Londres por acusações feitas nos EUA

Segundo as acusações, Kareem Serageldin e outros funcionários do banco suíço conspiraram para inflar valores de títulos lastreados em hipotecas durante a crise financeira

Priscila Arone, da Agência Estado,

26 de setembro de 2012 | 16h15

LONDRES - Autoridades britânicas detiveram nesta quarta-feira Kareem Serageldin, que trabalhou no setor de investimentos do Credit Suisse Group, em razão de acusações feitas nos EUA segundo as quais ele e outros funcionários do banco suíço conspiraram para inflar valores de títulos lastreados em hipotecas durante a crise financeira.

Serageldin, ex-diretor global de Negociações de Crédito Estruturado do banco, foi levado em custódia pela polícia metropolitana de Londres quando estava do lado de fora da embaixada dos EUA, segundo uma pessoa ligada ao assunto. A polícia não falou sobre o episódio.

Ele faz parte do grupo de três pessoas que foi acusado criminalmente nos EUA, em fevereiro, mas Serageldin pode permanecer no país porque tem residência no Reino Unido. O procurador de Manhattan Preet Bharara já havia declarado anteriormente que a promotoria tentaria sua extradição, caso ele não retornasse ao território norte-americano voluntariamente.

Serageldin, que tem cidadania norte-americana e britânica, deve comparecer ao tribunal no Reino Unido na quinta-feira, quando os EUA devem pedir seu retorno ao território norte-americano para enfrentar acusações criminais de conspiração, apresentação de dados falsos e registro e fraude eletrônica. O advogado de Serageldin, Sean Casey, negou-se a falar sobre o assunto nesta quarta-feira.

Os dois outros homens, Salmaan Siddiqui e David Higgs, que trabalhavam como traders, já haviam se declarado culpados das acusações de conspiração em fevereiro, o que configurou o primeiro caso criminal bem-sucedido contra executivos de Wall Street relacionados ao colapso financeiro nos EUA.

Quando o mercado imobiliário norte-americano começou a se deteriorar em 2007, Serageldin e os demais supostamente começaram a manipular o valor dos ativos lastreados em hipotecas numa carteira de negociação, conhecida como ABN1, afirmaram promotores de Manhattan no indiciamento criminal de Serageldin. O grupo teria feito isso para dar a falsa aparência de que a carteira ABN1 era lucrativa e para assegurar seus altos bônus de final de ano, afirmaram os produtores.

A valorização de carteiras relacionadas a hipotecas está no cerne da crise financeira e das turbulências do mercado em 2008. Bancos de investimento registraram centenas de bilhões de dólares em baixas contáveis em suas carteiras de hipotecas depois que os valores dos imóveis despencarem.

O Credit Suisse, que não foi alvo de acusações, demitiu Serageldin e os outros dois homens quando sua suposta conduta imprópria foi descoberta em 2008. As informações são da Dow Jones.

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