Ex-ministro acha que Argentina começou a acertar

O ex-ministro da Fazenda da Argentina, José Luis Machinea, disse neste sábado que a situação do país melhorou de um mês para cá. Para Machinea, ?o governo começou a se mover na direção correta nas duas últimas semanas?. Ele citou como fatos positivos o acordo com as províncias, a aprovação do orçamento pelo Congresso e o reinício das negociações com o FMI.O ex-ministro, que está em Fortaleza participando da programação de seminários da Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), saudou o fato de que o atual governo argentino parece ter desistido de jogar a culpa nos bancos e nas empresas privatizadas, e abrandou o discurso em relação aos credores: ?O governo abandonou o tom duro do começo?, disse.Machinea acha que não será fácil para a Argentina recuperar a credibilidade. ?Fazer um default (calote) da dívida e desvalorizar a moeda significou quebrar todos os contratos?, observou. Foi por ter esta percepção, disse, que ele ?lutou muito para não desvalorizar?, apesar de ter consciência, ainda durante o seu mandato como ministro, dos problemas de competitividade do país, em função do câmbio sobrevalorizado. O ex-ministro deu a entender que julgava possível ter evitado a moratória e a desvalorização na Argentina, mas só até um determinado momento. ?Em novembro e dezembro, não havia mais alternativa?, disse. Machinea acha que o FMI e as demais instituições multilaterais deveriam ter clareza sobre como lidar com crises de países emergentes. Na sua opinião, havia esta clareza nos anos 90, quando diversos países tiveram pacotes de ajuda, entre eles o Brasil e a própria Argentina. O problema atual, para o ex-ministro, nem é tanto o fato de o FMI ter endurecido a posição em relação ao tratamento daquelas crises, mas sim o fato de que não tem uma linha clara de ação.Machinea atribui este processo de mudança no Fundo à troca de governo nos Estados Unidos, com a entrada dos republicanos, depois da vitória de George W. Bush. "O que prejudicou a Argentina particularmente foi o fato de a crise ter acontecido no meio de deste processo de mudança no FMI, em um momento em que os novos procedimentos ainda não estão claramente definidos", disse.O presidente do Banco de La Nación, Enrique Olivera, descartou neste sábado a possibilidade de uma nacionalização do sistema financeiro argentino, hipótese que foi levantada por alguns economistas e até por uma agência de classificação de risco. ?É inútil e desnecessário?, disse Olivera, que também está em Fortaleza.?Eu acho que nós estamos próximos de uma nova fase?, disse Olivera, para quem a solidez do sistema bancário argentino antes da atual crise permitiu que ele sobrevivesse. O Banco de La Nación, que é estatal, é o maior da Argentina.Leia o especial

Agencia Estado,

09 de março de 2002 | 22h46

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