Ex-ministro aconselha controle na valorização do real

O Brasil precisa controlar a valorização do real por meio de intervenções do Banco Central. Esta é a opinião do estrategista-chefe da Quest Investimentos e ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, expressa ontem em entrevista ao programa Conta Corrente, da "Globo News". Segundo Mendonça de Barros, essa valorização não estaria sendo provocada pela entrada de dólares no País, mas por um ataque especulativo mundial contra a moeda norte-americana. "É claro que a valorização do real já está atingindo um nível importante para o futuro das exportações brasileiras", disse. "O real faz parte de uma cesta de moedas, chamadas moedas commodities, de países com grande volume de exportações, o que tem sido motivo de especulação contra o dólar." Mendonça de Barros explicou que não haveria motivo para essa valorização do real, uma vez que o volume de dólares que efetivamente entra no País ainda é negativo. "O canal principal dessa valorização é o especulador estrangeiro, trocando os seus dólares por reais e fazendo que haja essa valorização", descreveu ele. O consultor disse que alguns países que estão sofrendo esse processo têm procurando, por intermédio dos seus bancos centrais, modular esse movimento. "Nós não estamos e, portanto, colhemos o fruto desse processo especulativo." Baseado em números levantados pela Quest Investimentos, o consultor fez uma previsão pessimista para a inflação do próximo ano. "A meta de inflação fixada pelo Banco Central é claramente inviável. E, a medida que o tempo vai passando, essa percepção é quase que total no mercado", afirmou. Segundo ele, o quadro para o próximo ano é "muito ruim", com a previsão do IPCA já beirando os 7%. "Eu acho que essa meta é uma batalha já perdida." Além da questão da meta que poderá não ser atingida, o consultor alerta para um provável surto de inflação de demanda provocado pela falta de investimentos na produção. Ele considera que o Brasil cresceu mais do que se esperava e que parte importante da indústria tem hoje a sua capacidade de produção totalmente tomada. Em conseqüência, o País vai ter a chamada inflação de demanda. "O Brasil tem que desacelerar um pouco (a economia), senão nós terminaremos o ano de 2005 numa situação muito desconfortável."

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