Ex-ministro Antônio Dias Leite Júnior morre aos 97 anos

Professor emérito da UFRJ, ex-chefe da pasta de Minas e Energia atuou como engenheiro e teve papel fundamental na construção de Itaipu

O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2017 | 22h48

O ex-ministro de Minas e Energia Antônio Dias Leite Júnior morreu na última quinta-feira, aos 97 anos. Engenheiro, ele também foi presidente da Vale e professor emérito da UFRJ. Apesar da idade, Dias Leite se mantinha ativo e continuava acompanhando o setor energético do País. Ele publicou 18 livros sobre o tema – o 19º, Meu século – Brasil em que vivi, editado por José Luiz Alqueres, será publicado pela Edições de Janeiro no próximo mês. Segundo familiares, ele estava bem de saúde e lúcido, mas faleceu por causa de complicações decorrentes de uma queda sofrida duas semanas antes.

Filho de imigrantes portugueses, Dias Leite nasceu em 1920, no Rio de Janeiro. Formou-se pela Escola Nacional de Engenharia da UFRJ em 1941.

Na administração pública, foi subsecretário para assuntos econômicos do então ministro da Fazenda, San Tiago Dantas (1963), presidente da Vale (1967) e ministro de Minas e Energia (1969-1974) no governo de Emílio Médici.

Em sua gestão, promoveu significativa reestruturação dos setores elétrico e mineral e avanços nas pesquisas geológicas e tecnológicas. Teve papel crucial na elaboração do tratado binacional entre Brasil e Paraguai, que resultou na construção da hidrelétrica de Itaipu, nos anos 1970.

Na área econômica, Dias Leite participou de trabalhos sobre a criação do sistema de Contas Nacionais, desenvolvidos a pedido do ex-ministro da Fazenda, Eugênio Gudin (1886-1986).

Na Fundação Getúlio Vargas foi responsável pela primeira estimativa de renda nacional no Brasil, publicada em 1951. “O Brasil perde um dos seus grandes professores de engenharia”, lamentou Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da FGV. “Como ministro, Dias Leite foi um dos grandes contribuintes para a época de maior desenvolvimento do País.”

Em 1960, o engenheiro foi contemplado com a bolsa de estudos Eisenhower Exchange Fellowships, para uma visita de observação da economia dos Estados Unidos. “Essa experiência internacional foi um marco: deu a ele uma nova visão sobre o desenvolvimento energético, tecnológico e sobre os estudos econômicos”, disse Paula Leite Dias, sua neta. “Ele trouxe esse conhecimento para o Brasil e começou a compartilhar sua experiência em artigos. A partir daí, ele, que já era um acadêmico conceituado, começou a ganhar mais visibilidade como pessoa pública.”

Dias Leite publicou 18 livros e escrevia regularmente nos principais veículos de imprensa, incluindo o Estado, desde os anos 1960, abordando em seus artigos economia nacional, energia e recursos naturais.

Consultor do Ministério de Minas e Energia sobre a reforma do setor elétrico e sobre a questão das usinas térmicas e sua relação com o meio ambiente durante os anos de 1996 e 1997, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura em 1998, com o livro A energia do Brasil (1997). Em 2014, foi publicada a terceira edição do livro, com novo capítulo intitulado “Desestruturação do setor de energia – Brasil 2007-2014”, no qual o autor traça minucioso perfil das transformações ocorridas nesses últimos anos.

Viúvo há três anos e meio, o ex-ministro foi casado por 69 anos com Manira e deixa cinco filhos, 12 netos e 17 bisnetos. O corpo foi velado e cremado no último sábado, no Memorial do Carmo, no Caju, zona central do Rio de Janeiro. Em virtude da Páscoa, a Missa de 7º Dia será realizada na terça-feira, dia 18, às 18h, na Igreja da PUC, na Gávea, zona sul da capital carioca.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.