Najara Araúno/Câmara dos Deputados
'Quem será a próxima?', disse Marcos Pereira no Twitter, referindo-se ao fechamento também da Mercedez no País. Najara Araúno/Câmara dos Deputados

Ex-ministro da Indústria, Marcos Pereira diz que saída da Ford vai repercutir nas eleições de 2022

Deputado classificou a medida como lamentável e disse que Ministério da Economia precisa ter um 'olhar mais amigável' para as empresas que geram emprego no País

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 19h46

BRASÍLIA - Ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) usou a saída da Ford do Brasil para criticar o Ministério da Economia, de quem pediu um "olhar mais amigável" a empregadores, e indicou que o episódio pode repercutir nas pretensões do presidente Jair Bolsonaro de se reeleger em 2022.

"Se é verdade que saúde econômica pode decidir as eleições presidenciais, com estes anúncios, podemos dizer que 2022 está logo aí, e, quem viver verá...", escreveu Pereira no Twitter.

Essa não é a primeira vez que o atual vice-presidente da Câmara dos Deputados tece críticas à Economia. Com o estouro da pandemia da covid-19, Pereira foi um dos primeiros políticos a alertar, no primeiro semestre de 2020, para a necessidade de maior participação do Estado, com investimentos para tirar a economia do buraco - contrariando a visão do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Integrantes do Ministério da Economia até hoje ainda atribuem ao vice-presidente da Câmara e seu grupo a pressão para fatiar a pasta e recriar o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Hoje, Pereira apoia a candidatura do deputado Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara, nome que também tem o respaldo do Palácio do Planalto.

Em maio, como mostrou o Estadão, o ex-ministro acabou revelando em uma live com o mercado financeiro palavras ditas a ele pelo ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto. “Daqui a alguns meses o governo terá de enfrentar a intransigência do ministro Paulo Guedes”, afirmou Braga Netto segundo Pereira.

Em meio à pressão para prorrogar o auxílio emergencial, Pereira se posicionou ao lado da equipe econômica dizendo que não há mais espaço fiscal, mas ponderou que, se houver segunda onda de covid, “tempos excepcionais exigem medidas excepcionais”.

Hoje, em meio à repercussão da saída da Ford do Brasil, Pereira classificou a notícia como "lamentável". "Serão mais de 5 mil desempregados. O Ministério da Economia precisa ter um olhar mais amigável para com aqueles que geram emprego neste País", afirmou.

Em seguida, o deputado publicou uma notícia de outra montadora que deixou o Brasil, a Mercedes-Benz. "Quem será a próxima?", questionou.

A série de postagens incluiu ainda uma notícia sobre declaração atribuída ao secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, que tem hoje atribuições herdadas do MDIC já comandado por Pereira. Segundo a notícia, Costa teria dito em reunião com o alto escalão da General Motors, no início de 2019, que não haveria novos incentivos à empresa: "se precisar fechar, fecha."

"Leia o que disse o secretário de Guedes há quase um ano", ressaltou o deputado.

 

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Ford anuncia fim da produção no Brasil após um século e vai demitir 5 mil funcionários

Companhia, que fabricava veículos no País desde 1919, vinha fazendo cortes de pessoal nos últimos anos e sofrendo queda de vendas superior à do mercado; demissões vão afetar as operações brasileira e argentina

Eduardo Laguna, Fernanda Guimarães e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 17h10
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 17h53

A montadora americana Ford anunciou nesta segunda-feira, 11, o fim de uma história de um século de produção de carros no Brasil. A montadora, que já tinha encerrado, em 2019, a produção de caminhões em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, comunicou que vai fechar neste ano as demais fábricas no País: Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka; Taubaté (SP), que produz motores; e Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller.

Serão mantidos no Brasil a sede administrativa da montadora na América do Sul, em São Paulo, o centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP). Questionada sobre o total de demissões, a companhia afirmou que 5 mil funcionários serão impactados no Brasil e na Argentina – no país vizinho, no entanto, as unidades de produção serão mantidas. No entanto, o impacto na economia, quando levados em conta fornecedores e terceirizados, deve ser bem mais significativo, apontam fontes do setor.

A produção será encerrada imediatamente em Camaçari e Taubaté, mantendo-se apenas a fabricação de peças por alguns meses para garantir disponibilidade dos estoques de pós-venda. A fábrica da Troller em Horizonte continuará operando até o quarto trimestre de 2021.

Perdas acima do mercado

A Ford, assim como todo o setor automotivo, vem enfrentando forte quedas nas vendas no Brasil. As perdas da montadora têm sido ainda piores do que a média do mercado. No acumulado de 2020, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a fatia da montadora americana era de 7,14%, atrás de General Motors, Fiat, Volkswagen e Hyundai, considerados os automóveis e comerciais leves.

Em 2020, foram emplacados cerca de 2 milhões de carros, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A Ford foi responsável por 118,4 mil, considerando apenas os automóveis, uma queda 39,7% em relação a 2019, quando o total chegou a 196,3 mil unidades. O Ford Ka foi o sexto modelo mais vendido non Brasil no ano passado. Em 2019, ele ocupou a segunda posição, segundo dados da Fenabrave.

Em comunicado, a Ford informa que tomou a decisão após anos de perdas significativas no Brasil. A multinacional americana acrescenta que a pandemia agravou o quadro de ociosidade e redução de vendas na indústria. "A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável", afirmou, em nota, Jim Farley, presidente da Ford.

Modelos descontinuados

As vendas do EcoSport e do Ka serão encerradas assim que terminarem os estoques. A empresa informa que vai trabalhar "imediatamente" em colaboração com os sindicatos e outros parceiros no desenvolvimento de um plano "justo e equilibrado" para minimizar os impactos do encerramento da produção. Primeira indústria automobilística a se instalar no Brasil, a Ford está no Brasil desde 1919.

A decisão de fechar as linhas de manufaturas brasileiras segue uma reestruturação dos negócios na América do Sul. A montadora diz que seguirá importando no Brasil utilitários esportivos, picapes, como a Ranger, e veículos comerciais de fábricas da Argentina, Uruguai e outras origens, mantendo "assistência total" ao consumidor brasileiro com operações de vendas, serviços, peças de reposição e garantia. Informou ainda que planeja acelerar o lançamento de diversos novos modelos conectados e eletrificados.

Saída custará US$ 4,1 bilhões

A decisão da Ford de encerrar a produção no Brasil terá impacto financeiro de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas não recorrentes, conforme informação divulgada pela montadora no anúncio de fechamento de três fábricas no País.

Do total, cerca de US$ 2,5 bilhões terão impacto direto no caixa do grupo americano, sendo, em sua maioria, relacionados a compensações, rescisões, acordos e outros pagamentos. Outros US$ 1,6 bilhão decorrem de impacto contábil atribuído à baixa de créditos fiscais, depreciação acelerada e amortização de ativos fixos.

No anúncio da decisão, Lyle Watters, presidente da Ford na América do Sul, destacou que, após reduzir custos em "todos os aspectos do negócio" e encerrar produtos não lucrativos, incluindo o fim da produção de caminhões, o ambiente econômico desfavorável, agravado pela pandemia, deixou claro que seria necessário "muito mais" para dar sustentabilidade e rentabilidade à operação.

Empresa vinha ficando para trás da concorrência

O sócio-líder de indústria e mercado automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Bacellar, avaliou que a decisão da Ford de sair do Brasil decorre de uma série de fatores, começando pelo aumento da concorrência, que comprometeu as suas margens de rentabilidade, situação que a pandemia ajudou a deteriorar. A necessidade de quarentena, que no período mais rígido fechou concessionárias, obrigou as montadoras a correram para acelerar os investimentos em digitalização, algo que não foi acompanhado pela Ford.

"Ela acabou afastando os clientes. Várias montadoras optaram pelos lançamentos rápidos, para lançar em seus canais digitais. Houve uma necessidade de investir muito", comenta Bacellar. "A Ford já não vinha apresentando resultados muito felizes no Brasil há alguns anos, algo que se acalorou em 2019, quando decidiu fechar sua fábrica de caminhões para alocar investimentos na China. Agora, com linhas de receitas afetadas, tomaram uma decisão mais energética."

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Anúncio de fechamento de fábricas da Ford pega sindicatos de surpresa

Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté (SP) convocou manifestação para esta terça-feira, 12; na manhã do mesmo dia, trabalhadores de Camaçari (BA) vão fazer uma assembleia; unidade de Horizonte (CE) continua a funcionar até o fim do ano

Marina Aragão, Érika Motoda e Maiara Santiago, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 17h59
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 17h51

O anúncio do fechamento das fábricas da Ford em Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE) pegou de surpresa os sindicatos de trabalhadores. Em assembleia extraordinária realizada nesta segunda-feira, 11, os 800 trabalhadores da unidade de Taubaté decidiram que vão fazer uma mobilização em frente à fábrica a partir das 8h da terça, alegando que a montadora americana tem um compromisso social "por ter recebido incentivos fiscais". Além disso, eles afirmam que têm direito à estabilidade até o fim de 2021 por causa do programa que permitiu as reduções de salário e jornada em função da pandemia do coronavírus

Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Maracanaú, José Milton Pereira, que responde pelos trabalhadores de Horizonte, disse que, em um primeiro momento, tentou tranquilizar os cerca de 550 funcionários da Troller. "Eles começaram a me ligar desesperados, todos nós fomos pegos de surpresa. Mas ao contrário das outras fábricas, nós vamos até 2021", disse. "Ainda temos muito encomendas para atender e, por conta disso, tenho esperança de que conseguiremos estender o funcionamento até 2022." 

Além disso, Pereira aponta que a atual estrutura da Troller a torna muito vendável e que a ideia é usar esse tempo de funcionamento extra que a fábrica de Horizonte terá, para começar um diálogo com o governo do Ceará e tentar encontrar possíveis compradores para o espaço. "A Troller tem um processo de produção muito único, é muito vendável, acho que logo teremos um interessado. E no processo de venda, quero trabalhar para manter os funcionários empregados."

E o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, se pronunciou em vídeo no Facebook na tarde desta segunda-feira, 11. “É muito difícil. Foi algo que bateu agora nas nossas costas de forma muito forte, estamos tentando ainda absorver essa porrada, algo que a gente nunca imaginaria que aconteceria no Brasil”, disse. Segundo Bonfim, 12 mil empregos, diretos e relacionados ao setor de autopeças, serão afetados pelo fechamento na Região Metropolitana de Salvador. 

A mensagem foi gravada por ele após uma reunião com a presidência da Ford na América do Sul, a chefia de Recursos Humanos e representantes e dirigentes sindicais da fábrica. Bonfim não deu detalhes sobre a conversa, mas anunciou uma assembleia para as 5h30 desta terça-feira, 12, na porta da Ford em Camaçari, para dar direcionamentos, tirar dúvidas e repassar informações da reunião para os trabalhadores. "É pedir a Deus que a gente consiga construir soluções, por mais que a empresa bata aqui na mesa e diga que é um encerramento sem nenhum tipo de intervenção.”

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, considerou absurda a decisão da Ford de fechar suas operações no Brasil e cobrou ação dos governos. A entidade, a companhia agiu sem dialogar com os sindicatos e demonstrou "total falta de sensibilidade social". Para ele, os governos federal e estaduais devem cobrar compromisso da montadora com o País.

"É um absurdo a Ford encerrar sua produção no Brasil, fechando mais de 7 mil postos de trabalho, diretos e indiretos, e aumentando ainda mais a tragédia social no País causada pelas persistentes crise econômica e pandemia do coronavírus", afirmou. "Esperamos que o governo federal e os governos estaduais de São Paulo, da Bahia e do Ceará intervenham para cobrar da Ford o compromisso produtivo com o País e um recuo diante de um anúncio tão grave como este."

Repercussão negativa

O prefeito de Camaçari, Elinaldo Araújo (DEM), disse que será uma grande perda para Camaçari e para a Bahia. "Com muita tristeza, recebemos esta notícia da Ford. Infelizmente, a crise provocada pela pandemia da covid-19 trouxe consequências ruins para a área da saúde e, também, para a economia, fazendo com que pequenos e grandes negócios se tornem inviáveis. Lamento o fechamento da fábrica e me solidarizo com os trabalhadores", disse. Ele afirmou ainda que acompanha a situação de perto e dará apoio aos funcionários da fábrica. "Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para reduzir o impacto para os trabalhadores, pais e mães de família que vão perder o seu sustento", escreveu, ressaltando que a prefeitura vai "intensificar diálogos" com outras empresas em busca de novos investimentos.

O governo do Estado da Bahia também divulgou nota lamentando o encerramento da produção e diz que já busca alternativas para minimizar o impacto. “Assim que foi informado, o governador Rui Costa entrou em contato com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) para discutir a formação de grupo de trabalho para avaliar possibilidades alternativas ao fechamento", diz o comunicado. O texto afirma que a Embaixada Chinesa foi procurada para sondar possíveis investidores interessados em assumir o negócio na Bahia.

A Prefeitura de Taubaté publicou uma nota oficial dizendo que entende que a crise econômica mundial tem reflexos na cidade, mas que não pode arcar com "tal monta de prejuízo". A cidade paulista afirmou que os 830 funcionários demitidos receberão o "apoio necessário" da administração municipal e que a gestão vai buscar alternativas, inclusive marcando uma reunião com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB)

 

Doria, por sua vez, disse que a medida foi decisão global da Ford Motors. "No Estado de SP, serão mantidos 700 trabalhadores em atividades no município de Tatuí e na Capital", escreveu.

Presidente nacional do DEM e ex-prefeito da capital baiana, ACM Neto também amargou a decisão da Ford. Ele lembrou da “luta política do avô, Antonio Carlos Magalhães, para que a fábrica se instalasse na Bahia, em 2001. "É com pesar que recebemos hoje essa notícia e me solidarizo principalmente com a população de Camaçari e da Região Metropolitana de Salvador, já que essa decisão, que partiu do comando mundial da montadora, terá impacto na vida de milhares pessoas", disse. 

"ACM era presidente do Senado quando, em 1999, usou do seu poder e influência para defender, mais uma vez, a Bahia. Enfrentou diversos interesses e trabalhou muito para derrotar as pretensões do Rio Grande do Sul, que também almejava ter a fábrica naquele estado. É uma notícia triste para a Bahia essa de hoje", escreveu no Twitter.

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Para Mourão, Ford deveria ter 'retardado' decisão; Maia fala em 'falta de credibilidade'

Vice-presidente se disse surpreso com a medida e apontou que mercado brasileiro é maior que os demais; para Maia, decisão alerta para a importância de modernizar o Estado

Emilly Behnke e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 19h50
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 16h34

BRASÍLIA - O vice-presidente Hamilton Mourão se disse surpreso com o anúncio da montadora Ford sobre encerrar a produção de carros no País. Em conversa com jornalistas na tarde desta segunda-feira, 11, Mourão disse que a empresa, que está no Brasil há 100 anos, poderia ter retardado a decisão. Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o fechamento da produção no País é uma demonstração da "falta de credibilidade" do governo federal. 

Após anos de perdas significativas no Brasil, intensificadas pela pandemia da covid-19, a Ford anunciou em comunicado nesta segunda-feira, 11, o fechamento de suas fábricas em Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka, Taubaté (SP), que produz motores, e Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller.

"Não é uma notícia boa. Eu acho que a Ford ganhou bastante dinheiro aqui no Brasil. Me surpreende essa decisão que foi tomada aí pela empresa", comentou Mourão na saída da vice-presidência."Eu acho que ela poderia ter retardado isso aí mais e aguardado. Até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros aí", afirmou. A decisão de fechar as linhas de manufaturas brasileiras segue uma reestruturação dos negócios na América do Sul.

A sede administrativa da montadora na América do Sul, localizada em São Paulo, será mantida, assim como o centro de desenvolvimento de produto, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí (SP).

Para Maia, o anúncio da montadora evidencia a ausência de regras claras, de segurança jurídica e de um sistema tributário racional. Defensor da proposta de reforma tributária de autoria do candidato apoiado por ele para a sucessão no comando da Mesa Diretora, Baleia Rossi (MDB-SP), o atual presidente da Casa apontou que o sistema tributário teria se tornado um “manicômio” nos últimos anos, com impacto direto sobre a produtividade das empresas.

“Espero que essa decisão da Ford alerte o governo e o Parlamento para que possamos avançar na modernização do Estado e na garantia da segurança jurídica para o capital privado no Brasil”, escreveu Maia em sua conta no Twitter.

Em seu Twitter, o secretário executivo do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten, que tem gabinete no Planalto, respondeu ao presidente da Câmara. “A verdade dos fatos: a Ford mundial fechou fábricas no mundo porque vai focar sua produção em SUVs e picapes, mais rentáveis. Não tem nada a ver com a situação política, econômica e jurídica do Brasil. Quem falar o contrário, mente e quer holofotes”, reagiu Wajngarten. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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Na Bahia, governo fala em atrair investidor chinês para fábrica da Ford

Governador Rui Costa (PT) disse ter entrado em contato com embaixada chinesa; em São Paulo, governador João Doria (PSDB) lamentou 'decisão global' da companhia

Eduardo Laguna e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 20h15

O governo da Bahia emitiu um comunicado, na tarde desta segunda-feira, 11, em que diz já trabalhar em busca de “alternativas” para assumir a fábrica da Ford em Camaçari. Uma das tentativas seria atrair um investidor chinês. A Ford anunciou hoje o fechamento das suas fábricas de automóveis no Brasil - além de Camaçari, também a de Taubaté (SP) e a de Horizonte (CE).

De acordo com o texto, o governador Rui Costa (PT) entrou em contato com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) para discutir a criação de um grupo de trabalho onde serão avaliadas as possibilidades. O governo estadual, segue a nota, também entrou em contato com a embaixada chinesa para sondar possíveis investidores com interesse em assumir o negócio na Bahia.

Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) foi mais um a lamentar publicamente o encerramento da produção de veículos da Ford no Brasil. Sem citar demissões na fábrica de Taubaté, onde a montadora emprega cerca de 830 funcionários, o tucano afirmou que a empresa manterá 700 trabalhadores em atividades no município de Tatuí (SP), onde fica o campo de provas da empresa, e na capital do Estado, onde está a sede administrativa.

"A medida afeta o fechamento de fábricas no Ceará, Bahia e SP. Foi decisão global da Ford Motors", escreveu Doria em sua conta no Twitter.

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Economia lamenta saída da Ford e procura retirar influência do atual governo na decisão da montadora

Ministério disse que medida, vista como 'global e estratégica', 'destoa da forte recuperação' da indústria no País; já o secretário da pasta fala em 'união de forças' pela recuperação do setor

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 20h16
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 16h05

BRASÍLIA - O Ministério da Economia lamentou, em nota oficial, a decisão da Ford de encerrar a produção no Brasil, mas buscou descaracterizar qualquer influência de políticas do atual governo na ação da montadora.

No comunicado, a decisão é retratada como "global e estratégica" da empresa. Além disso, a Economia afirmou que a medida "destoa da forte recuperação observada na maioria dos setores da indústria no País, muitos já registrando resultados superiores ao período pré-crise".

No entanto, estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) obtido pelo Estadão/Broadcast mostra que, embora a indústria brasileira tenha de fato superado as perdas decorrentes da crise provocada pela covid-19 no País, alguns setores ainda operam consideravelmente aquém da sua capacidade de produção. Um deles é justamente o de veículos.

Os fabricantes de veículos automotores e produtos de metal registraram uma ociosidade média do parque fabril superior a 30% de setembro a dezembro, segundo dados desagregados da Sondagem da Indústria do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.

Na nota, a Economia diz que "trabalha intensamente na redução do custo Brasil com iniciativas que já promoveram avanços importantes". "Isto reforça a necessidade de rápida implementação das medidas de melhoria do ambiente de negócios e de avançar nas reformas estruturais", afirmou.

'União de forças'

Responsável pela área que cuida das políticas de desenvolvimento da indústria no Brasil, o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa, lamentou o encerramento das atividades da Ford no País, mas culpou a pandemia pelo revés em medidas que reduziriam o custo de produção das empresas no território brasileiro. Em sua conta no Twitter, ele pediu a "união de forças" pela recuperação da indústria, após perda de espaço na produção nacional em governos anteriores.

Costa, porém, ressaltou que depois do baque causado pela pandemia, foi o trabalho do governo que permitiu a recuperação em V da indústria este ano, ou seja, com retomada na mesma velocidade da queda. "Quando assumimos, a indústria vinha em frangalhos, apesar de bilhões gastos por governos anteriores. Temos reduzido o custo Brasil que herdamos, 22% do PIB. Mas a pandemia impediu que nossas ações surtissem efeito a tempo", justificou o secretário.

"É hora de unirmos forças para avançar ainda mais rápido na redução do custo Brasil e recuperar nossa indústria, que perdeu espaço no PIB em todos os governos anteriores. De continuar o trabalho focado, que já permitiu que nossa indústria se recuperasse em V este ano", acrescentou Costa.  

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