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Ex-ministro de Collor desiste de concessão da hidrelétrica Três Irmãos

Negócio desfeito. Flagrado pela operação Lava Jato da Polícia Federal, Pedro Paulo Leoni Ramos cedeu às pressões de Furnas para sair do negócio; agora o desafio da estatal é encontrar novos sócios privados que arquem com 50,1% do empreendimento

LU AIKO OTTA/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2014 | 02h03

Depois de uma semana de pressão nos bastidores, Furnas conseguiu, enfim, se livrar da sociedade com o secretário de Assuntos Estratégicos do governo de Fernando Collor de Mello, Pedro Paulo Leoni Ramos, na usina hidrelétrica Três Irmãos.

Na noite de quinta-feira, o empresário, que se viu enredado no escândalo da operação Lava Jato da Polícia Federal, confirmou ao Estado sua saída do negócio, como já circulava nos bastidores. Furnas não comentou. Mas, a partir de agora, seu desafio é encontrar novos sócios privados que arquem com 50,1% do negócio.

A estatal do setor elétrico se associou à GPI Investimentos e Participações e outras três empresas controladas pelo grupo de Leoni Ramos para arrematar a concessão de Três Irmãos, leiloada pelo governo federal no último dia 28.

A mesma GPI é citada no relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava Jato. De acordo com as investigações, há indícios de que a empresa presidida por Leoni Ramos poderia ser sócia do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen. Desde que a suspeita da polícia veio à tona, Furnas vinha tentando se livrar do sócio.

Pressões. Depois, começou a circular nos bastidores do governo e do mercado que Furnas já estaria à procura de outro sócio, para substituir o grupo de Leoni Ramos. Que, por sua vez, estava disposto a resistir às pressões políticas.

O que poderia levar o grupo a rever sua posição era um aspecto econômico do negócio: a discussão, no Tribunal de Contas da União (TCU), sobre a inclusão das eclusas e do canal Pereira Barreto na concessão. O que o grupo havia arrematado no leilão era apenas a parte de geração de energia. A inclusão das estruturas de navegação hidroviária modificaria toda a engenharia financeira.

Foi justamente nesse ponto que Furnas fez o lance seguinte. Em correspondência dirigida ao Ministério de Minas e Energia com data de 9 de abril, a estatal informou que estaria disposta a operar eclusas e canal, "mediante uma receita adequada".

Furnas não consultou o sócio - no caso, o grupo de Leoni Ramos - para dar esse posicionamento ao ministério. Isso fica claro no próprio ofício, quando a estatal invoca sua condição de líder do consórcio concessionário para dizer que aceita a tarefa. Essa decisão unilateral teria sido a gota d'água no processo, do ponto de vista da GPI.

As empresas de Leoni Ramos, GPI à frente, formavam um fundo de investimento e participações chamado Constantinopla, que é oficialmente o sócio de Furnas. Além delas, o Constantinopla tem mais um sócio, o gestor de recursos Cypress.

Essa troca de sócios é permitida, segundo as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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