Ex-ministro prevê cenário melhor

Roberto Rodrigues diz que preço e demanda já estão melhores e devem atenuar a crise nos próximos meses

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

O ex-ministro da Agricultura e professor da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, acredita que as empresas do agronegócio deverão ganhar fôlego nos próximos meses com a tendência de recuperação de preço e de consumo tanto para a carne quanto para o açúcar. "A atividade sucroalcooleira tem um horizonte mais animador porque o preço subiu, principalmente no primeiro quadrimestre, graças aos problemas de safra que a Índia, grande produtora, teve", explica Rodrigues. No caso das carnes, o grande impulso, segundo o ex-ministro, deverá vir da abertura de novos mercados e da aquecida demanda interna. Além disso, a produção caiu nos últimos meses por conta dos problemas no setor e, com a oferta menor, a tendência é de aumento de preço. Analista de agronegócio da consultoria Tendências, Amarilys Romano também acredita em recuperação no açúcar e na carne no segundo semestre deste ano e em 2010. "Os custos de produção não devem aumentar e a rentabilidade deverá ser maior"FALTA DE CRÉDITODados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram a transição enfrentada pelo setor sucroalcooleiro. Em agosto de 2008, antes da crise, a expectativa era de que o setor recebesse R$ 28 bilhões de investimentos entre 2009 e 2012. Em novo levantamento feito pelo banco em dezembro, o montante caiu para R$ 20 bilhões.Presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, afirma que no agronegócio as decisões são de longo prazo. E, portanto, ao ser abatida pela crise uma empresa do setor tem mais dificuldades na mudança de rota ou na simples interrupção dos investimentos. "No nosso caso, as férias coletivas não funcionam", explica. "Não dá para adiar o calendário no campo".Para Camargo, havia um excesso de euforia tanto entre os frigoríficos quanto entre as usinas. "O BNDES é parcialmente culpado porque bombou os frigoríficos com dinheiro, deu uma fábula e de uma hora para outras essas empresas perderam o mercado da União Europeia, que passou a exigir a rastreabilidade (chip que permite ter um tipo de histórico do animal). Na sequência veio a crise no mercado global", acusa.Entre os efeitos de tanta euforia estão o aumento de IPOs (abertura inicial de abertura de capital) e o crescimento do endividamento. "Foi uma combinação de euforia com mudança repentina do mercado financeiro. Só quem não estava na tal euforia conseguiu escapar", afirma o presidente da Abipecs. Agora, para complicar, vem o problema do câmbio.O analista de agronegócio da consultoria Lafis, Ricardo Jacomassi, afirma que houve muito oba-oba, mas acha que as próprias empresas têm responsabilidade na atual situação. "Jogou-se muito com o preço futuro por meio dos fundos de derivativos. Foi um processo de montagem de operações futuras excessivamente especulativo. Com a queda dos preços internacionais, houve um desajuste entre as operações", explica.

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