Infográficos/Estadão
Infográficos/Estadão
Imagem Celso Ming
Colunista
Celso Ming
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Ex-pleno-emprego

Temos o estouro do desemprego, que saltou para 7,5% em julho; Ninguém previa número tão alto

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2015 | 21h00

Lembra-se dos bons tempos do pleno-emprego ou de quase isso? Pois eles não estão tão distantes assim. Há pouco mais de um ano (julho de 2014) o nível de desocupação no Brasil era de 4,9%.

Agora, temos o estouro do desemprego. Saltou de 6,9% em junho para 7,5% em julho (veja o gráfico ao lado). Ninguém previa número tão alto.

A principal característica da área é a forte aceleração da desocupação e não mais o “mercado aquecido”, como há meses vinha apontando o Banco Central nos documentos de comunicação com a sociedade.

Setor por setor, estatística por estatística, as condições da economia estão em deterioração. (O Confira mostra a quantas anda o Índice de Confiança da Indústria.) Como as crises da política e da economia se reforçam uma à outra, fica difícil de saber onde termina a rosca sem-fim.

Altamente sensível à situação do mercado de trabalho, o governo Dilma vai mostrando sinais de desespero e já se atira a políticas esdrúxulas, como as que começam a ser intensificadas até mesmo pelo ministro Joaquim Levy, o mais recente seguidor do antes criticado ex-ministro Guido Mantega.

Os novos números do IBGE sobre a situação do mercado de trabalho são coerentes com os que já vinham sendo apontados pelo Ministério do Trabalho por meio da evolução do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mas a realidade Brasil afora pode ser ainda mais difícil, porque a pesquisa sobre o desemprego abrange apenas seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Salvador), justamente as de maior atividade econômica. 

À medida que as vendas mergulham, as empresas passam a contabilizar prejuízo e chega o momento em que têm de demitir, como está acontecendo agora. Mas esta não é a única explicação para o aumento do desemprego.

Há alguns meses, as estatísticas acusavam a existência de grandes contingentes de mão de obra em condições de trabalhar, que permaneceram por vontade própria fora do mercado. Explicação para a aparente anomalia: mal ou bem, tinham quem os sustentasse. A crise empurrou essa gente para a procura do que fazer, porque, corroída pela inflação, a renda familiar mergulhou. Em comparação com a situação de julho do ano passado, a renda do trabalhador caiu 2,4% a mais do que a inflação. Como o orçamento doméstico baqueou, a insegurança aumentou e mais gente saiu para as ruas em busca de emprego.

Esse aumento da procura acontece na pior hora, justamente quando mais se intensificam as dispensas de pessoal, e engrossa as estatísticas dos que não conseguem trabalho. Nessas circunstâncias, mais desemprego tende a criar mais desemprego.

O governo Dilma não tem resposta eficaz para isso. Ao contrário, como dito alguns parágrafos acima, vai tomando decisões que aumentam as incertezas, como essa determinação de empurrar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal ao despejo de créditos em condições favorecidas para as empresas mais chegadas.

CONFIRA:

No gráfico acima, a evolução do Índice de Confiança da Indústria.

Desânimo

Se depender da animação, os empresários da indústria estão cada vez mais em baixa. Foi mais um tombo de 2,5% sobre a posição de julho, como mostra a prévia de agosto do nível de confiança na economia. Mais desânimo é mais adiamento de decisões importantes por parte do empresário. É menos investimento. Nessas condições, prevalecem as demissões e a não contratação de mais mão de obra – o que dá mais ou menos no mesmo, como vai descrito no texto ao lado.

Tudo o que sabemos sobre:
Celso Mingdesemprego

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.