Ex-presidente da Braskem é preso nos EUA

Ex-presidente da Braskem é preso nos EUA

José Carlos Grubsich é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e falsificação de balanços; ele foi detido nesta quarta-feira, 20, no aeroporto JFK, em Nova York

Fernando Scheller e Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2019 | 16h30

O executivo José Carlos Grubisich, ex-presidente da petroquímica Braskem, foi preso ontem, em Nova York, sob acusação de comandar um intricado esquema de lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e pagamento de propinas. De acordo com informações do Departamento de Justiça americano (DoJ), cerca de US$ 250 milhões (mais de R$ 1 bilhão) foram direcionados para um fundo com o objetivo de financiar atos de corrupção.

Grubisisch foi preso ao chegar ao Aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, pela manhã, onde passaria uma semana de férias com a esposa. As acusações haviam sido definidas em fevereiro e foram colocadas sob segredo de Justiça por oito meses para facilitar a prisão de Grubisich quando ele estivesse em solo americano, informou o DoJ no documento que justificou a prisão do executivo.

Os detalhes das acusações foram divulgados por volta das 18h30, em Nova York. Segundo o DoJ, as investigações sobre o executivo correm desde 2015 e se referem a pagamentos ilegais feitos entre 2002 e 2014, sendo que parte das acusações envolvem a Odebrecht. Ele foi presidente da petroquímica do grupo brasileiro, um dos pivôs da Operação Lava Jato e hoje em recuperação judicial, entre os anos de 2002 e 2008. 

A acusação lembra que, apesar de ter deixado o principal cargo executivo da Braskem em 2008, Grubisich manteve um assento no conselho de administração da petroquímica até 2012. Depois disso, atuou por mais dois anos como consultor externo do Grupo Odebrecht.

Nos Estados Unidos, ele está sendo defendido pelo advogado Daniel Stein, do escritório Meyer Brown. O escritório Toron, Torihara e Szafir Advogados, de São Paulo, também está envolvido na defesa de José Carlos Grubisich. A informação da prisão foi originalmente revelada pela agência Reuters.

De acordo com o Departamento de Justiça, o risco de fuga do executivo é alto. Essa afirmação é justificada pelo fato de o executivo ser brasileiro. O País não tem acordo de extradição de cidadãos que estão sendo investigados em outros países. Ao ser ouvido em uma corte de Nova York, na tarde desta quarta, Grubisich se declarou inocente das acusações. A esposa do executivo se disse “perplexa” com a prisão. 

Ajuda de Wesley e Joesley

 Presente à audiência em que Grubisich ouviu as acusações, o Estadão/Broadcast presenciou o executivo orientar a esposa a dar imóveis como garantia para uma eventual fiança. Ela também foi orientada a procurar os empresários Joesley e Wesley Batista, também alvo de escândalos de corrupção, para pedir ajuda. Depois de sair da Braskem, o executivo foi presidente da Eldorado Celulose, do grupo J&F.

Ontem, o pedido inicial de libertação sob fiança foi negado. A próxima deliberação sobre o caso será realizada entre amanhã e a próxima segunda-feira, de acordo com o advogado Alberto Toron, que representa o executivo no Brasil. 

Toron disse ter “estranhado” a operação no Estados Unidos, já que as acusações do Departamento de Justiça (DoJ) americano se baseiam em fatos ocorridos no Brasil, sendo que aqui Grubisich não responde pelas acusações. A justificativa do DoJ, frisou ele, é que foram assinados livros que afetam a regulação da Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM americana).

No documento de  acusação, o DoJ afirma que, na época em que era CEO da Braskem, Grubisich “concordou em falsificar parte dos balanços e arquivos da Braskem para esconder o esquema de corrupção, tendo assinado documentos falsos que foram submetidos à SEC (Securities and Exchange Commission, xerife do mercado de capitais americano)”.

O documento explica ainda que, para esconder o direcionamento dos recursos para propinas, o executivo orientou a falsificação de balanços da Braskem, registrando os pagamentos de propinas a companhias de fachada controladas pela petroquímica como “comissões”. Grubisich também assinou documentos afirmando que as informações anuais da companhia eram fidedignas.

Outro acordo

Os atos de corrupção da Braskem já foram alvo de um acordo de US$ 3,6 bilhões que envolveu os atos de corrupção da Odebrecht e da petroquímica no Brasil, nos Estados Unidos e na Suíça. O DoJ não informou como a investigação sobre Grubisich se relaciona ao acordo fechado em 2016.

Em nota, a Braskem afirmou que tem "colaborado e fornecido informações às autoridades competentes como parte do acordo global assinado em dezembro de 2016, que engloba todos os temas relacionados à Operação Lava Jato". A empresa, diz a nota, vem fortalecendo seu sistema de conformidade e reitera seu compromisso com a atuação ética, íntegra e transparente.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.