Ludovic Marin/AFP
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Ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn nega acusações em investigação

Executivo está preso há uma semana por suspeita de irregularidades financeiras

Reuters, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2018 | 21h54

O ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn, preso na segunda-feira da semana passada por suspeita de irregularidades financeiras, negou em depoimento as acusações feitas por autoridades japonesas. O executivo franco-brasileiro, que não falou publicamente, teria relatado a investigadores que não tinha intenção de subestimar sua remuneração em documentos financeiros, segundo informou a agencia de notícias japonesa NHK.

O executivo, que foi um dos responsáveis por costurar a aliança global entre Renault e Nissan, há quase 20 anos, é acusado de ter entregue documentos de renda com valores subestimados a autoridades japonesas. A investigação, que teve o auxílio da montadora, também relata suposto uso de recursos corporativos para fins pessoais. Promotores japoneses dizem que Ghosn teria escondido, entre 2010 e 2015, o equivalente a US$ 88 milhões.

O executivo, que orquestrou uma reestruturação da Renault e da Nissan, era um dos homens de negócio mais bem pagos do mundo: só no exercício de 2017, ele recebeu uma compensação de US$ 8,5 milhões da Renault e de US$ 6,5 milhões da Nissan. Conhecido como “Le Cost Killer” na França, reestruturou a Nissan com o fechamento de cinco fábricas e a demissão de mais de 20 mil funcionários.

Greg Kelly, ex-executivo da Nissan detido junto com Ghosn na segunda-feira passada, defendeu no sábado a compensação de Ghosn, segundo a NHK, dizendo que os valores foram discutidos com autoridades e os impostos propriamente quitados. 

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