Ex-presidente do banco central da Itália vai a julgamento

Antonio Fazio é acusado de interferir na venda de bancos da Itália a grupos estrangeiros.

Duncan Kennedy, BBC

23 Outubro 2008 | 08h36

O ex-presidente do banco central da Itália, Antonio Fazio, deve ir a julgamento nesta quinta-feira por acusação de fazer uso indevido de sua posição para facilitar a aquisição de um banco italiano por outro.Há suspeita de que Fazio passou informações relevantes ao Banca Popolare Italiana, quando este tentava adquirir o Banca Antonveneta, em 2005.Fazio foi acusado de tentar impedir ofertas de compra de bancos da Espanha e da Holanda. Apesar disso, o grupo holandês ABN-Amro acabou ganhando a batalha comercial pelo Antonveneta.Fazio nega todas as acusações. Se condenado ele pode enfrentar uma pena de prisão de seis anos.Com ele, serão julgadas quinze outras pessoas.Antonio Fazio esteve à frente do Banco da Itália por 12 anos, até sua renúncia em 2005.Alega-se que ele favoreceu secretamente bancos italianos em detrimento de instituições de Espanha e Holanda, em processos para a compra de outros bancos italianos.Jornais locais divulgaram trechos de conversas telefônicas, gravadas pela polícia, que mostram, aparentemente, Fazio em contato regular com altos executivos de bancos italianos. Isso o torna vulnerável a alegações de ter usado de maneira indevida a sua posição à frente do banco central italiano.Imagem dos bancosDepois de começar a trabalhar no Banco da Itália em 1960, Antonio Fazio subiu na hierarquia da instituição. Ele ganhou a reputação de sério e respeitável. Pai de cinco filhos, Fazio é um católico devoto.Mas nos últimos anos, mostrou-se contrário à tomada de bancos italianos por instituições estrangeiras, apesar de esforços da União Européia para facilitar esse tipo de processo.Fazio, de 72 anos, foi acusado de prejudicar a imagem internacional do sistema bancário italiano - uma imagem que vai estar sujeita a um escrutínio ainda maior à medida que seu julgamento avançar.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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