Ex-presidente do Citibank Alcides Amaral morre em SP

Jornalista, Amaral tinha 72 anos; em nota, Citi lamenta a perda e diz que ex-presidente sempre foi referência

Paula Pacheco, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2009 | 17h01

Morreu nesta sexta-feira, 30, em São Paulo, o jornalista e ex-presidente do Citibank Alcides Amaral, de 72 anos. Ex-colaborador de O Estado de S. Paulo, o paulista Amaral gostava muito de escrever e se voltou ao universo dos textos desde que se aposentou do banco, em 1997. Além do cargo no Citibank, comandou a Associação Brasileira de Bancos Internacionais. É autor de Os limões de minha limonada, um livro com pitadas biográficas publicado em 2001.   Para alguns colaboradores dos tempos de Citi, Amaral era sério, introspectivo, mas nem por isso deixava de agregar a equipe. Entre os mais próximos se mostrava afável. Deixa a mulher Norma e quatro filhos. O último texto que escreveu na página 2 de O Estado de S. Paulo, em 23 de janeiro de 2006, começava assim: "Tudo nesta vida tem começo, meio e fim".   Em quatro anos foram mais de 100 artigos publicados no jornal. Ao contrário de muitos presidentes de banco, vivia de forma simples e gostava de tratamentos de saúde alternativos, como acupuntura e shiatsu. Até o ano passado o jornalista escrevia um blog, onde costumava analisar as idas e vindas da economia. Amaral preparava o segundo livro, não concluído.   Formado pela Faculdade Cásper Líbero, Amaral trabalhou por cinco anos, no início da década de 60, nos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Em uma das muitas entrevistas que deu ao longo de sua carreira, contou que várias vezes foi à casa de Chateaubriand. Pôde então conferir o beija-mão de "políticos e poderosos se submetendo aos caprichos de Chatô." "Ali percebi que não há diferença entre as pessoas e isso me trouxe autoestima e também humildade mesmo nos períodos de mais prestígio de minha carreira", contou.   Em um dos textos de seu blog, registrou: "Ao escrever, só devo satisfação à minha própria consciência." Amaral era de origem simples, estudou em escola pública e começou a trabalhar no Citi em 1955, como escriturário. Um de seus orgulhos como jornalista foi a série de reportagens que resultou na criação do Museu Casa de Portinari, em Brodowski (SP), cidade natal do pintor.   Nos anos 80, com problemas de saúde, seguiu o conselho da mãe para acreditar em algo mais. Foi quando tornou-se devoto de São Judas Tadeu. Dizia que foi quando aprendeu ter "muito mais a agradecer do que a pedir".   Em nota, o Citibank lamenta a perda e diz que Alcides Amaral "sempre foi uma referência para todos nós do Citi e, sem dúvidas, deixará um enorme legado e muitas saudades."

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