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Ex-presidente do IBGE descarta interferência política

O economista Sérgio Besserman Vianna, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), descartou a possibilidade de haver interferência política sobre o órgão, mas lamentou o fato de haver uma alteração no cronograma de divulgação de pesquisas. Nesta quinta-feira, 10, o IBGE anunciou a suspensão da divulgação da Pnad Contínua.

VINICIUS NEDER E GUSTAVO PORTO, Agencia Estado

11 de abril de 2014 | 18h34

"Não considero a hipótese de interferência política sobre o IBGE, mas lamento a alteração no cronograma", disse Besserman. Segundo o economista, a divulgação de um cronograma prévio, preferencialmente no ano anterior, e seu cumprimento à risca, é fundamental para garantir a independência dos institutos oficiais de estatística, em todos os países. Em ano eleitoral, isso é ainda mais importante, completou Besserman.

"Sem entrar no mérito dessa decisão recente, (alterar o cronograma) é um custo. O IBGE tem de cumprir a lei, mas cumprir o cronograma é uma regra muito importante", disse Besserman.

O economista afirma não duvidar da independência do IBGE, porque conhece e já trabalhou com muitos profissionais do corpo técnico, capazes de colocar a estatística e suas pesquisas "acima de tudo". A decisão de alguns de colocar seus cargos à disposição, nesse caso, na visão de Besserman, poderia ter a ver com a avaliação individual de cada um sobre custos e benefícios de fazer uma alteração no cronograma.

Suspeitas

"Tradicionalmente, o IBGE sempre foi independente. Mas, quando tem de suspender uma divulgação em momento político de campanha eleitoral, levanta suspeitas. À mulher de César, não basta ser virtuosa, é preciso parecer virtuosa", avalia o sociólogo Simon Schwartzman, presidente do IBGE de 1994 a 1998.

Ainda assim, o ex-presidente do IBGE chamou atenção para o fato de a suspensão da pesquisa ter gerado discordância entre diretores e a presidente do órgão, Wasmália Bivar. A discordância poderia sugerir ingerência política.

A situação causa preocupação maior, na avaliação de Schwartzman, por conta da reputação da diretora de Pesquisas, Marcia Quintslr, que pediu exoneração do cargo por discordar da suspensão da Pnad Contínua. O sociólogo classificou a pesquisadora como dedicada, competente e respeitada no meio. "A vida dela é o IBGE. É mais uma razão para ficar preocupado. É uma pessoa comprometida com a autonomia do instituto", disse Schwartzman.

O deputado federal e presidente do PSDB do Estado de São Paulo, Duarte Nogueira, cobrou, há pouco, uma solução urgente para a crise. "Se o IBGE não apresentar solução coerente e racional nas próximas horas, vamos convocar a ministra do Planejamento, Miriam Belchior", disse o deputado - o instituto é vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. "E espero que, antes, a ministra venha a público esclarecer o caso e retomar a pesquisa."

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