Ex-presidente do Nacional recusa comida da cadeia

O ex-presidente e acionista majoritário do Banco Nacional, Marcos Catão de Magalhães Pinto, recusou-se a comer o prato do dia no Ponto Zero (prisão especial para quem tem curso superior). O cardápio era carne-seca com abóbora, mas Magalhães Pinto preferiu encomendar um sanduíche de presunto.Os ex-dirigentes do banco Arnoldo Souza de Oliveira, Clarimundo José de Sant?Anna e Omar Bruno Correia também estão no Ponto Zero.O liquidante Abdiel Andriolo de Andrade informou à Agência Estado por e-mail que ?o processo de liquidação extrajudicial segue o seu curso normal, e hoje busca-se a realização de todos os ativos de sorte a encontrar recursos para saldar compromissos da massa liquidanda?. Ele disse também que não há prazo determinado para o fim da liquidação. A sentença sobre gestão fraudulenta no banco Nacional será lida pelo juiz Marcos André Bizzo Moliari, da 1ª Vara Federal Criminal, na segunda-feira, às 13 horas, no Rio.O banco Nacional estava quebrado desde 1986, mas conseguiu esconder o rombo por quase dez anos através de fraude na contabilidade do balanço, colocando créditos fictícios em mais de 1.046 contas inativas, das quais 652 ainda estavam ativas em 18 de novembro de 1995, o sábado em que o Banco Central decretou Regime de Administração Especial Temporária (Raet) no banco e pediu à Justiça a indisponibilidade dos bens de todos os integrantes da diretoria e dos acionistas majoritários.Na época, o rombo estimado no Nacional era de R$ 5,5 bilhões, mas depois foi se revelando ainda maior e chegou a pelo menos R$ 9,2 bilhões. Junto com a decretação de Raet, o BC concedeu um financiamento do Proer, criado duas semanas antes, para equilibrar o patrimônio de uma parte do banco, que foi vendida ao Unibanco.Agências, funcionários e clientes do Nacional ficaram com o Unibanco; o rombo, incluindo a dívida com o Proer, ficou com a parte do banco que continuou se chamando banco Nacional e está até hoje em liquidação extrajudicial.Até hoje, o Nacional ainda deve ao BC por conta do financiamento do Proer e, em tese, os bens dos acionistas majoritários podem ser usados para cobrir essa dívida.A dívida do banco Nacional - como continuou a ser chamada a parte ruim do banco que não foi assumida pelo Unibanco - com a União chegou a R$ 13,9 bilhões segundo informações oficiais do dia 31 do mês passado. A dívida total do Nacional é de R$ 15,5 bilhões.

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