Ex-presidente perdeu toda influência política

Na noite de 20 de dezembro de 2001, Fernando De la Rúa - que havia sido eleito dois anos antes com 48,5% dos votos - dormiu na residência presidencial de Olivos. No dia seguinte, passou pela Casa Rosada para buscar seus pertences, que havia esquecido na correria da partida no helicóptero do telhado do palácio presidencial. Apesar do conselho de vários amigos que diziam que deveria mudar-se para o exterior até que os ânimos da população se acalmassem, De la Rúa optou por ficar no país, refugiando-se em sua chácara no município de Pilar.

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h06

Desprezado por seu partido, a União Cívica Radical (UCR), abandonado por seus antigos ministros, De la Rúa dedicou-se à jardinagem e à família, enquanto permaneceu afastado da política ao longo da última década. Sua influência política nestes dez anos foi nula. O ex-presidente até evita comparecer às pacatas reuniões da UCR.

"Abandonei a política", disse ao Estado. Analistas políticos sustentam, sem sutilezas: "De la Rúa não existe mais".

Em 2006 - meia década depois da crise - tornou-se novamente notícia quando lançou o livro Operação Política, no qual denunciava as supostas manobras da oposição realizadas contra ele. A obra, fracasso de crítica e de público, rapidamente encalhou nas livrarias.

Ocasionalmente De la Rúa participa de algum evento diplomático, tal como em 2010, no coquetel do 7 de Setembro na Embaixada do Brasil, em Buenos Aires. Porém, na ocasião, passou boa parte do tempo sozinho. Nesse mesmo evento os convivas preferiram acotovelar-se ao redor do octogenário ex-presidente Carlos Menem (1989-99). / A.P.

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