Hoana Gonçalves/Ascom ME
O ex-secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do Ministério da Economia, Amaro Gomes. Hoana Gonçalves/Ascom ME

Ex-secretário de Guedes diz que saída é 'infeliz coincidência' com troca na Petrobrás

Amaro Gomes, da secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, diz que sua saída do cargo estava acertada desde janeiro

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 14h22
Atualizado 01 de março de 2021 | 15h33

BRASÍLIA - Funcionário de carreira do Banco Central, o ex-secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) do Ministério da Economia, Amaro Gomes, nega que pediu para deixar o cargo por causa de insatisfação com o governo Jair Bolsonaro depois do anúncio da troca de comando da Petrobrás

Em entrevista ao Estadão, Amaro, de 57 anos, diz que acertou sua saída do cargo com o secretário especial de Desestatização, Diogo Mac Cord, em janeiro, e que, desde então, trabalha na sua transição. Ele está no cargo desde janeiro de 2020. 

O senhor pediu para deixar o cargo em razão de uma insatisfação com a política de governança das estatais?

Não, em absoluto. Eu negociei minha saída com o secretário Diogo em janeiro. Não é algo intempestivo e decidido agora. Nós já vínhamos nos preparando desde janeiro para a minha saída. Vai ter continuidade. Minha saída não tem nada a ver com nenhum evento associado a alguma empresas especificamente. É infeliz coincidência, mas não tem absolutamente nada a ver. Tenho excelente relacionamento no Ministério da Economia.

Mas o sr. está saindo no momento em que a governança das estatais está passando por teste?

A minha saída aparentemente parece relacionada a esses eventos e não tem nada a ver.

Tem alguma insatisfação com a equipe do ministro Paulo Guedes?

Não, de maneira nenhuma. Tenho perfeita interação e trabalho muito bem com todos eles.

O sr. vai para onde?

Para iniciativa privada, mas ainda não posso falar.

Como o sr. vê a governança das estatais?

Nós avançamos tremendamente no quesito governança ao longo do ano de 2020 e aprimoramos a transparência das estatais. A Lei das Estatais está em pleno vigor e começando a surtir os seus efeitos. Adotamos um novo estatuto modelo para as estatais, incorporando as melhores práticas e recomendações internacionais, a exemplo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Também concluímos a revisão da governança das estatais efetuada pela OCDE, cujo relatório oficial será apresentado nesta terça-feira num evento realizado pela Sest. Esse relatório indica as recomendações de curto, médio e longo prazos para o aprimoramento da gestão da governança das estatais. Fizemos bastante e vejo um ano de muitas realizações, apesar das limitações da pandemia da covid-19.

Há um enfraquecimento da governança das estatais?

Não. Eu vejo um fortalecimento de maneira geral a partir da Lei das Estatais e a maturidade em relação à aplicação da lei demandará da Sest, como tem demandado, um esforço para que as recomendações internacionais sejam implementadas.

O episódio em relação à Petrobrás trouxe incertezas em relação à governança?

Prefiro não comentar visto que não sou mais secretário.

A governança é um processo que está sempre em teste?

A governança é um processo de evolução natural, principalmente quando se trata de empresas estatais que são de capital aberto e que se submetem à regra da Comissão de Valores Mobiliários e também a requerimentos legais regras aplicáveis às empresas sob controle do Estado.

A repercussão da divulgação do relatório de benefícios aos empregados das estatais está relacionada à sua saída?

Não, de forma alguma. O relatório surtiu um efeito muito positivo em termos de transparência.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Secretário de estatais pede para deixar cargo e provoca mais uma baixa na equipe de Guedes

A saída de Amaro Gomes do Ministério da Economia ocorre num momento de desconfiança do mercado financeiro de interferência política nas empresas estatais

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 09h41
Atualizado 01 de março de 2021 | 14h24

BRASÍLIA - O secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) do Ministério da Economia, Amaro Gomes, pediu para deixar o cargo. No seu lugar, assumirá o secretário-adjunto, Ricardo Faria, que coordenou a elaboração de relatório sobre benefícios e auxílios para os empregados das estatais federais, divulgado no início do mês.

A saída de Gomes da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, ocorre num momento de desconfiança do mercado financeiro de interferência política nas empresas estatais depois que o presidente Jair Bolsonaro demitiu o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, em comunicado pelo Facebook.

A indicação do general Joaquim Silva e Luna para comandar a Petrobrás foi anunciada por Bolsonaro no último dia 19, mas ainda precisa ser referendada por uma assembleia de acionistas, cujo edital de convocação deve sair no início desta semana.

Bolsonaro também ameaçou “colocar o dedo” na Eletrobrás e acabou provocando forte turbulência no mercado. Em resposta, o governo sinalizou com as privatizações da Eletrobrás e dos Correios.

A interlocutores, o secretário Especial de Desestatização do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, informou que Amaro Gomes recebeu uma proposta do setor privado. Ele tem mais de 60 anos e disse que "era a oportunidade da vida dele". Amaro era subordinado de Mac Cord no Ministério da Economia. Ricardo Faria, que ficará no seu lugar, é funcionário público da carreira de gestor.

O relatório divulgado pela Sest, no início do mês, informava o total de benefícios que cada estatal oferece aos funcionários, como abonos, adicionais, ausências autorizadas, auxílios e estabilidade. Além disso, trouxe informações relativas às maiores, menores e médias remunerações dos empregados e um detalhamento dos valores desembolsados com benefícios de assistência à saúde para cada trabalhador, por mês e ano.

A sua divulgação foi considerada uma nova ofensiva em defesa das privatizações, mas foi muito criticado pelos empregados das empresas. Os auxílios incluem desde o pagamento de 100% do salário como adicional de férias, como faz a Petrobrás, a ajuda educacional de mais de um salário mínimo (R$ 1.261,65) por mês para cada filho menor de 18 anos,  como é o caso do BNDES. Na época, Amaro disse que o relatório dava transparência para informações que "muitos desejavam" conhecer sobre as estatais.

Tudo o que sabemos sobre:
Ministério da EconomiaPaulo Guedes

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.