Ex-sócio da VarigLog nega ser 'laranja' do fundo americano

Segundo o empresário, Lula e Dilma nunca se envolveram nas negociações de venda da companhia aérea

Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo,

03 de julho de 2008 | 12h06

Marco Antonio Audi, um dos três empresários acusados de irregularidades no processo de compra da Varig e da VarigLog, negou nesta quinta-feira, 3, em depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, que seja um "laranja" (falso acionista) do Fundo MatlinPatterson, dos Estados Unidos. Ele afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nunca se envolveram nas negociações em relação às duas empresas.   Veja também: Turbulências da Varig  Decisão da Justiça sobre VarigLog ainda não chegou à Anac Família Teixeira chama Lula de 'Dindo', diz ex-sócio da VarigLog   "Não sou 'laranja', não tenho perfil para ser 'laranja'. Jamais trabalharia para um fundo que nem nacionalidade brasileira tem", declarou Audi, que encerrou seu depoimento à comissão. Ele e os empresários Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo foram acusados de terem atuado como "laranjas" do Matlin Patterson, que hoje detém 60% da VarigLog, embora a lei brasileira só permita participação estrangeira em empresas aéreas nacionais até 20%.   Audi afirmou que a acusação de que seria "laranja" é uma "jogada" do empresários Roberto Teixeira, amigo do presidente Lula, e Lap Chan, sócio do Matlin Patterson, que estariam planejando ficar com os outros 40% da VarigLog.   Segundo Audi, o presidente Lula e outros autoridades do governo tinham "preocupação social" em relação à Varig e à VarigLog. "O Roberto Teixeira é que usava o nome dele (Lula), mas não houve nenhuma interferência do governo na Varig", afirmou Audi. Ele acrescentou que os problemas começaram desde quando a Varig foi vendida para a Gol por US$ 320 milhões.   Ele afirmou que não era objetivo dos três ex-sócios do fundo vender a Varig e que só fizeram isso por causa da situação financeira da empresa deles, a Volo. Audi disse que, após a venda da Varig, "começou a "sabotagem", mas não explicou a quem estava se referindo.   A Comissão de Infra-Estrutura está ouvindo, neste momento, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ), que presidiu, na Assembléia do Rio de Janeiro, a CPI da Varig.     Comissão convida Lap Chan   Os senadores aprovaram requerimento convidando para depor sobre a venda da Varig o chinês Lap Chan, sócio do Fundo Matlin Patterson, a advogada Valeska Teixeira, que atuou ativamente no processo da compra da VarigLog pelo Matlin Patterson e é filha do advogado Roberto Teixeira, o marido dela, Cristiano Martins, e ainda o ex-procurador-geral da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) João Elídio Lima.   (com João Domingos, da Agência Estado)

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