Exaustão financeira das distribuidoras de energia

Esgotaram-se, antes do fim de outubro, os recursos de R$ 17,8 bilhões emprestados pelos bancos às distribuidoras de energia para compensar a diferença entre o que elas pagam às geradoras e cobram dos consumidores. Faltaram R$ 266 milhões em outubro, que as distribuidoras terão de tirar do caixa até o final deste mês. E poderão faltar, segundo o jornal Valor, mais R$ 3 bilhões relativos ao bimestre novembro/dezembro, a serem quitados em janeiro e em fevereiro de 2015. São consequências nefastas da alteração do modelo elétrico, em 2012, que surgiram em 2013 e se agravaram em 2014.

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2014 | 02h03

Para reduzir as tarifas de eletricidade, o governo cortou encargos setoriais e antecipou a renovação de concessões que venceriam entre 2015 e 2017, de 11,8 GW médios, diminuindo as receitas das geradoras. Mas algumas não concordaram e ficaram sem contratos 2,1 GW médios, em 2013, montante reduzido a 1,52 MW médio, neste ano, após a realização de leilões, calcula o especialista em energia Adriano Pires.

É essa energia que as distribuidoras compram a preços altos e entregam aos consumidores aos preços contratados. A diferença será maior a partir de janeiro.

Os custos de aquisição de energia pelas distribuidoras cresceram não apenas pela falta de oferta das geradoras que não aderiram ao modelo federal, mas pelo aumento do risco hidrológico - que pressiona os preços no mercado livre - e pelo atraso na conclusão de usinas que forneceriam eletricidade a custos menores. Foi o caso da Hidrelétrica de Jirau, que entrou na Justiça para não ser obrigada a entregar a energia que se comprometeu a produzir, mas não produziu de fato.

A exaustão financeira do setor ocorre numa conjuntura que afeta não só as empresas, mas os consumidores finais. Estes já arcaram com a elevação substancial de tarifas deste ano, faltando pagar, nas tarifas dos próximos três anos, a dívida bancária e os juros de R$ 8,79 bilhões. E ainda há um risco de racionamento no próximo semestre, de 19%, segundo a consultoria PSR. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) calcula risco menor.

O custo da mudança do modelo elétrico é vultoso, oscilando entre R$ 53 bilhões, estimados pela Confederação Nacional da Indústria, e R$ 66 bilhões, calculados pelo banco J.P. Morgan. É possível que seja ainda maior, incluindo a amortização de investimentos. É uma grande ameaça, enfim, para as contas fiscais do segundo mandato de Dilma.

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