Ser Educacional
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Exceção no setor, Grupo Ser tem alta de lucro com aposta em 'shopping de cursos'

Com a constatação de que as certificações técnicas aumentam a empregabilidade dos alunos, grupo fechou parcerias com empresas como Google e IBM e investiu em cursos livres; empresa teve avanço de 21% nos lucros em 2020

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2021 | 05h00

Em contraste com outras empresas do setor de educação que fecharam o ano com queda no lucro ou mesmo prejuízo, como Yduqs e Ânima, o grupo Ser Educacional viu seus resultados crescerem em 2020. Teve lucro líquido de R$ 165 milhões em 2020, com alta de 21% ante 2019.

Dona de marcas como o Centro Universitário Maurício de Nassau (Uninassau) e Universidade da Amazônia (Unama), a companhia viu o número de alunos aumentar 3,5% ao longo do ano, alcançando 191 mil estudantes. A fatia dos que estudam exclusivamente por meio do ensino digital saltou de 17%, no quarto trimestre de 2019, para 28% no mesmo período do ano passado. 

Por trás do resultado, está o reposicionamento da empresa, para o que a companhia entende ser a nova busca pela educação. Com a constatação de que as certificações técnicas aumentam a empregabilidade de seus alunos, a Ser passou a fazer uma série de parcerias com empresas renomadas que oferecem esse tipo de serviço. Também cresceu em Medicina, a área mais rentável entre os cursos presenciais. Ao mesmo tempo, ocupou-se em consolidar sua própria marca, para não perder prestígio entre os alunos.

“Nos associamos a marcas fortes de determinadas áreas e as oferecemos por um custo muito atraente para nossos alunos”, diz Jânyo Diniz, presidente do grupo. “Uma certificação do Google, por exemplo, pode custar até US$ 2 mil. Os alunos que fizerem nossa matriz com a do Google vão poder ter as certificações a um custo muito baixo.”

Oferecidos pela plataforma GoKursos, que funciona como uma espécie de shopping virtual de educação, as parcerias incluem, além do Google, marcas como Barcelona Technology School, Avanade e IBM. A meta é oferecer conteúdo online para qualquer etapa de formação do estudante e produtos com maior tíquete médio.

“As restrições sanitárias durante a pandemia anteciparam uma série de mudanças que tínhamos pensado, entre elas a criação de um ecossistema de educação continuada digital”, afirma Diniz. “Não só um marketplace para venda de cursos, como também cursos livres.” Segundo ele, mesmo que o aluno faça uma graduação mais rápida (oferecida na plataforma), a ideia é que continue estudando, com outros cursos e aprimoramento profissional contínuo.

Com toda a concorrência buscando a mesma saída, Diniz afirma que o diferencial da companhia é ter presença regional forte. “A competição do ensino superior no Brasil ainda é local”, diz. “O aluno não estuda em instituições de fora de sua região, a não ser por uma diferença muito grande de preço.”

Entre outros planos de expansão, a Ser pretende realizar aquisições principalmente de startups de educação, conhecidas como edtechs.

“Se houver uma boa oportunidade de aquisição presencial, o faremos, mas diria que 80% do nosso tempo é dedicado a analisar empresas online e, talvez, os outros 20% sejam empresas de saúde”, afirma Rodrigo Alves, diretor de relações com investidores da Ser. “Precisamos filtrar as edtechs disponíveis, mas há muita coisa boa que pode ser agregada à nossa estratégia.”

Desempenho

Entre as casas de análise, a visão geral é de que os resultados da Ser Educacional vieram melhores que o esperado. Por outro lado, ainda pairam no ar as incertezas com relação à pandemia, o que pode afetar a captação de estudantes.

O analista Vitor Pini, da XP Investimentos, afirma que incertezas devem permanecer até que se tenha uma visão mais clara sobre o impacto da pandemia. “O foco de curto prazo deve ser o ciclo de captação de 2021, que provavelmente será impactado negativamente pela segunda onda da covid-19 no Brasil”, diz em relatório.

“A capacidade de manter a lucratividade e a geração de fluxo de caixa indicam eficácia da gestão (da Ser). Os impactos da pandemia se estenderão até 2021, e os efeitos adversos para novas matrículas e evasão podem chegar até o segundo semestre. Em nossa opinião, a Ser está preparada para sair bem dessa turbulência”, escrevem os analistas Mauricio Cepeda e William Barranjard, do Credit Suisse.

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