EXCLUSIVO-Ex-presidente do Lehman Brothers se diz injustiçado

"Não está armado, isso é bom."

CLARE BALDWIN, REUTERS

07 de setembro de 2009 | 19h52

Foi assim que Richard Fuld, ex-presidente-executivo do Lehman Brothers, recebeu um repórter da Reuters em sua bucólica casa de campo em Ketchum, no Estado de Idaho.

O homem rebaixado pelo colapso do banco de investimento Lehman Brothers quase um ano atrás, que desencadeou a crise econômica mundial, se vê assombrado, mas não abatido, pela pressão do aniversário que se aproxima.

Fuld disse que está limitado a falar em sua defesa, em parte devido aos processos litigiosos nos quais está envolvido, mas também porque sente que o mundo não está pronto para escutá-lo.

"Sabe uma coisa? O aniversário se aproxima", afirmou ele. "Fui espancado, insultado e vai ocorrer tudo de novo. Posso suportar. Sabe o que mais? Que façam fila."

Fuld enfatizou sua preocupação sobre o que será dito e escrito sobre ele nos dias que restam até 15 de setembro, quando se completa o aniversário de um ano do colapso do Lehman Brothers.

"Estão procurando agora alguém para rebaixar e esse sou eu", lamenta ele, acrescentando: "Sabe o que dizem? Isso também deve passar."

Fuld, hoje com 63 anos, assumiu o controle do Lehman em 1994, quando a instituição enfrentava problemas e a transformou no quarto maior banco de investimento dos Estados Unidos, o que suscitou a inveja dos concorrentes.

Entretanto, ele se viu forçado no ano passado a entrar com o maior pedido de concordata da história dos Estados Unidos, já que o banco se encontrava sufocado pelo peso de ativos tóxicos e perdeu a confiança dos investidores.

O governo norte-americano não conseguiu achar um comprador para o Lehman Brothers e decidiu não socorrê-lo.

Fuld foi então humilhado pelo comitê do Congresso em outubro, enquanto o mercado desabava. Um político chegou a afirmar que ele era o "vilão" do dia, enquanto dezenas protestavam e pediam sua cabeça.

Desde então, tentou fugir dos holofotes públicos.

Na sexta-feira, em Ketchum, Fuld disse que queria falar, mas que não tinha sentido. "Ninguém quer escutar. Os feitos estão aí. Ninguém quer escutar, especialmente vindo de mim."

Mais de uma dezena de processos foram abertos por ex-empregados do banco de investimento, que reclamaram por executivos terem autorizado investimentos de risco com as ações dos planos de pensão do Lehman.

Fuld foi chamado para depor em três investigações sobre a falência do banco. Contudo, não quis comentar sobre o estado das investigações.

(Reportagem adicional de Jui Chakravorty e Jonathan Spice)

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