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Executivo brasileiro lidera em pessimismo

Expectativa dos diretores financeiros com o desempenho da economia é ruim

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2014 | 02h05

A percepção dos executivos brasileiros com a economia piorou no primeiro trimestre deste ano. Numa escala de 0 a 100, o otimismo dos diretores financeiros (CFOs) ficou em 52,6 pontos, abaixo dos 53,3 pontos verificados no último levantamento realizado em dezembro de 2013.

Os números apontados pela pesquisa Panorama Global de Negócios conduzida pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Duke University e CFO Magazine relevam que o executivo brasileiro se tornou um dos mais pessimistas do mundo. Na Ásia, o otimismo está em 63,6 pontos. Na sequência aparecem, os Estados Unidos (60), seguido pela América Latina (59,2), e Europa (58,5).

O otimismo do Brasil vem caindo consistentemente ao longo das últimas pesquisas - no primeiro trimestre de 2013, chegou a ser de 63,5 pontos - e a expectativa ruim com o desempenho da economia brasileira ajudou a derrubar a média da América da Latina. Se os executivos brasileiros não tivessem participado do levantamento, por exemplo, o índice médio da região seria de 64,3 pontos. Para efeito de comparação, o indicador no Peru é de 69,8 pontos, e no Chile de 66,2 pontos.

"O Brasil está se descolando de outro países porque o resto do mundo está melhorando", afirma Klenio Barbosa, professor de economia da FGV e codiretor da pesquisa. O estudo também teve a direção do professor de finanças da FGV Antonio Gledson de Carvalho. "O otimismo do empresário brasileiro está caindo mesmo na comparação com outros países da América Latina. Isso nos leva a crer que o maior pessimismo seja motivado por fatores internos e não externos", afirma Barbosa.

O desânimo dos empresários brasileiros também pode ser medido por outro indicador. Segundo o levantamento, 68,3% dos CFOs se tornaram mais pessimistas do que no trimestre anterior, enquanto apenas 9,5% ficaram mais otimistas. Na Europa, esse indicador está em 63%, na Ásia fica em 47%, e nos Estados Unidos é de 40%.

"Esse resultado corrobora os fracos indicadores de atividade econômica do País e sinaliza que os próximos meses não devem ser positivos para a economia brasileira", diz Barbosa. No ano passado, o Produto Interno do Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3%. Para 2014, a expectativa do mercado, segundo o Boletim Focus, é que a economia brasileira avance apenas 1,7%. Há quatro semanas, a expectativa de crescimento era de 1,79%.

Razões. Parte do maior pessimismo dos empresários pode ser medido pela expectativa de desaceleração no crescimento do emprego. O estudo apontou uma tendência mais fraca na contratação de trabalhadores efetivos com crescimento de 2,2%, abaixo dos 2,6% do levantamento anterior e de uma redução de 0,4% na de temporário (ante 0,7%).

Os CFOs também estão enxergando uma dificuldade para o gerenciamento do capital de giro das empresas. De acordo com a pesquisa, a taxa projetada de crescimento de gastos de capital nos últimos seis meses caiu de 7,4% para 4%. "Esse tipo de preocupação aparece quando há dificuldade de fazer um financiamento, seja porque os fornecedores não estão dispostos a emprestar para as empresas, seja porque há uma expectativa de aumento dos juros", diz Barbosa. Desde abril de 2013, o Banco Central tem elevado a taxa básica de juros. De lá para cá, a Selic aumentou de 7,25% ao ano para 10,75% ao ano.

A pesquisa Panorama Global de Negócios é trimestral e foi concluída em 5 de março. Foram entrevistados 907 diretores financeiros no mundo, sendo 379 dos Estados Unidos, 205 da Ásia, 138 da Europa e 144 da América Latina - desses, 63 do Brasil.

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