Executivo com perfil empreendedor para iniciar negócio do zero

Nico Riggio trocou alto cargo na Philips por empresa iniciante da área de bebidas, que chega ao mercado ainda este ano

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h06

No início deste ano, o italiano Nico Riggio, de 37 anos, trocou um escritório bem decorado e um cargo de vice-presidente da gigante multinacional Philips, em Nova York, por um desafio: montar do zero uma empresa de bebidas no Brasil, a pedido de um grupo de investidores nacionais. Instalado em São Paulo, ele começou a trabalhar no projeto há cerca de nove meses, inicialmente sem estrutura e fazendo seus primeiros contatos de casa.

Antes de montar o escritório na zona sul de São Paulo onde hoje funciona a Amazon Waters - um "filhote" de uma experiência iniciada em março de 2009 pelos mesmos investidores nos Estados Unidos -, o presidente da operação brasileira, que hoje já envolve 50 pessoas, entre diretos e indiretos, teve de operar como um "faz tudo": foi RH, gerente de produto, traçou estratégias de logística, negociou com fornecedores e pesquisou o mercado para, como ele mesmo diz, "tropicalizar" os produtos oferecidos em território americano.

Ao fazer as primeiras contratações, Riggio buscou pessoas de perfil parecido com o seu: gente disposta a "sujar as mãos" para colocar de pé um negócio inexistente. Sua estratégia de contratação foi baseada em dois pilares: indicações e entrevistas. "Acredito muito no 'olho no olho', na minha capacidade de ler as pessoas", diz o executivo, que conseguiu atrair profissionais de grandes grupos, como o Pão de Açúcar, para a Amazon Waters, que era - e ainda permanece - uma aposta no futuro.

O êxito de Riggio em atrair profissionais qualificados para a empresa que foi incumbido de montar no País - que, segundo o CEO global da empresa, Paulo Zottolo, consumiu R$ 10 milhões até agora - está na relativa abundância de empregos para trabalhadores qualificados no mercado brasileiro. "Acho que é a hora de as pessoas apostarem em algo diferente. No fim das contas, é só experimentando que o profissional poderá saber se tem ou não o perfil adequado para trabalhar em um projeto novo, que oferece um nível menor de segurança", afirma Marcelo Santos, diretor da consultoria em recursos humanos Doers.

Santos desaconselha, porém, que um determinado tipo de executivo fique longe dessas empresas nascentes: "O tipo de pessoa que tende a dizer que certas funções 'não são da sua área' definitivamente não tem o perfil para esse tipo de empreendimento", diz. "No período inicial, esse tipo de empresa precisa de gente que esteja de olho em tudo, até na faxina. É um tipo de proposta que costuma agradar aos profissionais mais jovens, que estão dispostos a arriscar mais - e muitas vezes pela experiência, sem exigir um grande salto salarial."

Caminhos. Ao definir a estratégia da Amazon Waters no Brasil, Riggio e sua equipe tiveram de fazer escolhas para chegar ao mercado como uma opção a gigantes como a Coca-Cola e a Pepsi. Por isso, entre os produtos vendidos nos Estados Unidos, decidiram apostar na mistura de água de coco com chá, que chegará ao mercado de São Paulo e do Rio até o fim do ano. Cerca de 250 mil unidades já foram produzidas em uma unidade terceirizada em Minas Gerais.

"Somos uma empresa de marketing, e não de bebidas", afirma Nico Riggio. Isso norteia o trabalho de todos os executivos já contratados. Por isso, a empresa trabalhou para deixar o apelo saudável da mistura de coco e chá transparente não só na formulação, mas também no desenvolvimento da embalagem, tarefa sobre a qual Riggio se debruçou durante meses. "Nos Estados Unidos, usamos um tipo de (plástico) pet. Aqui, optamos pela TetraPak. E o design é importante. Fizemos 60 versões diferentes das nossas duas embalagens."

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