Executivo critica política para os combustíveis

O diretor do banco de investimento Questus Asset Management, Luiz Carlos Simão, reclama que o provável adiamento do repasse integral do reajuste dos combustíveis beneficia os mais ricos em detrimento dos mais pobres. Entrevistado no programa Conta Corrente, da Globo News, Simão disse que essa política pode ser boa para os índices de inflação, mas acaba levando à injustiça social. Ele explicou que o preço baixo da gasolina acaba sendo financiado por toda a população, incluindo quem não possui automóvel. "Eu acho que o preço tem que ser aquele que o mercado demandar e não o preço que lhe for imposto", salientou.O executivo prevê que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoverá novo aumento de 0,25 ponto porcentual dos juros básicos. "Na minha maneira de ver não muda quase nada, apenas está mostrando o caminho aonde o juro vai", minimizou Simão. Ele aproveitou para criticar o apetite do Estado por financiamento, que, segundo ele, é que mantém os juros tão elevados no Brasil. "Se nós tivéssemos um governo menos gastador, talvez os juros não estivessem no estágio em que estão, porque ele (o governo) não precisaria tomar tanto dinheiro."Commodities ditam inflação e crescimentoO diretor do banco afirmou que a recente redução no preço internacional de commodities com exceção do petróleo deverá trazer reflexos para a inflação no Brasil. No caso do petróleo, o executivo acredita que o mercado deverá se auto-regular no decorrer do tempo."Com o preço do petróleo subindo, vai aparecer substitutivo para ele, vai se descobrir mais óleo, vai ter mais oferta e o preço vai melhorar", frisou, revelando um dos cenários possíveis. Por outro lado, com o preço alto do óleo, a tendência é que o mundo como um todo diminua o crescimento e os preços caiam, com prejuízos para o País: "Nós estamos crescendo a reboque do crescimento mundial", lembrou Simão.Revolução no mercado de trabalhoDe acordo com Simão, as empresas estão respaldando o crescimento nos contratos de fornecimento com o exterior. "Hoje o nosso empresário descobriu que o comércio certo é o comércio exterior e o Brasil é o comércio incerto, pois oscila muito", salientou. Ele destacou ainda que há uma tendência mundial de mudança no mercado de trabalho que vem se tornando cada vez mais informal: "A quantidade de autônomos nos Estados Unidos já é muito grande, com muita gente trabalhando em casa, prestando serviços para terceiros. E aqui no Brasil a tendência é fazer isso também."

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