EFE/ Lukas Barth
EFE/ Lukas Barth

Executivo da Audi é preso na Alemanha no escândalo 'Dieselgate'

Rupert Stadler foi detido pelas autoridades alemãs como parte da investigação federal que apura falsificação de testes de emissão de poluentes envolvendo o Grupo Volkswagen

O Estado de S.Paulo

18 Junho 2018 | 06h59
Atualizado 18 Junho 2018 | 13h14

BERLIM - Autoridades alemãs prenderam o diretor-executivo da Audi, Rupert Stadler, como parte da investigação federal que apura falsificação de testes de emissão de poluentes envolvendo o Grupo Volkswagen. O caso, descoberto em 2015, ficou conhecido como 'Dieselgate'. A informação foi confirmada pela empresa à imprensa alemã. Stadler é o executivo mais proeminente da empresa a ser detido desde o início das investigações.

+ Chefe da Audi vira réu no ‘Dieselgate’

"Como parte de uma investigação sobre diesel e os veículos Audi, o gabinete da Procuradoria de Munique executou um mandado de prisão contra Rupert Stadler em 18 de junho de 2018", informou a procuradoria alemã por meio de nota. A justiça ordenou que o executivo permaneça sob custódia perante o risco de obstruir ou ocultar evidências da investigação do Dieselgate. Standler foi preso em casa na cidade de Ingolstadt, na Bavária.

Na semana passada, a residência de Stadler foi alvo de uma ação de busca e apreensão envolvendo a polícia e a procuradoria alemã. Réu no processo contra a Volkswagen, o CEO é acusado de fraude e falsificação de documentos relativos à venda de veículos cujos equipamentos de controle de emissão de poluentes burlavam as medições legais. Ao todo, 20 pessoas são investigadas no escândalo.

+ Dieselgate: EUA formaliza acusações contra ex-CEO da VW

A Audi e a Volkswagen confirmaram a prisão do CEO e reiteraram que Stadler é inocente até que se prove o contrário. A defesa do executivo não foi encontrada para comentar a prisão. 

Standler é o mais recente executivo do Grupo Volkswagen a ser acusado nas investigações do Dieselgate. Em maio, os Estados Unidos, onde a empresa se declarou culpada em 2015, ajuizaram denúncias criminais contra o ex-CEO Martin Winterkorn, que atualmente reside na Alemanha. Devido à política de não-extradição alemã, o executivo dificilmente enfrentará as acusações em território americano.

+ Dieselgate: polícia alemã prende executivo da Porsche

Apesar da pressão dos Estados Unidos, a procuradoria de Munique garante que a recente prisão de Standler não foi feita a pedido das autoridades americanas. 

Dieselgate

Em 2015, a Volkswagen foi acusada de usar um dispositivo que permitia a seus motores a diesel enganar as medições de emissões de poluentes. Assim, em uma condição de teste, os motores passavam a impressão de estarem dentro da lei. Porém, em condições reais de uso, eles emitiam até 40 vezes mais partículas poluentes no ar.

+ Porsche fraudou teste de emissões de Cayman R na Inglaterra

Modelos da Volkswagen, Audi, Porsche, Seat, Skoda e VW Comercial foram envolvidos no escândalo. Esses carros eram equipados com motores quatro-cilindros e V6 turbodiesel. No Brasil, o único carro envolvido foi a picape Amarok. Isso rendeu uma multa do Ibama de R$ 50 milhões por fraude e o pagamento de 1 bilhão aos proprietários das picapes. A Volkswagen está recorrendo.

Além disso, a companhia se viu obrigada a fazer um recall das 17.057 unidades envolvidas. Os exemplares foram produzidos entre 3 de dezembro de 2009 e 11 de novembro de 2011.

+ Audi suspende entrega de A6 e A7 diesel por software fraudulento

Nos Estados Unidos, a Volkswagen se declarou culpada das acusações e dois gerentes da companhia cumprem sentença em prisões americanas.//ASSOCIATED PRESS, REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.