Executivo da Dell critica ambiente de negócios na Índia

Para executivo, mistura de regras fiscais incertas e quebras de contratos tornam o país um local difícil para as empresas

NOVA DÉLHI, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h10

Uma combinação de quedas de energia elétrica, regras fiscais incertas e contratos que não são honrados fazem da Índia um local difícil para negócios, disse um executivo sênior da Dell, em comentários incomuns para um investidor estrangeiro.

A economia indiana cresce no ritmo mais lento em quase uma década, com pressões inflacionárias e altas taxas de juros. Mas o que companhias globais consideram mais difícil de enfrentar no país é a burocracia e a estagnação política, que impedem grandes reformas.

"Fazer negócios na Índia é difícil, porque há muitas pessoas habilitadas a tomar decisões importantes", disse o presidente da divisão da Dell para a região Ásia Pacífico e Japão, Amit Midha, em entrevista à agência Reuters. "E esses burocratas mudam com bastante frequência. Então, novos chefes assumem os cargos e não honram os contratos assinados anteriormente."

Irritada com a falta de oportunidades, a alemã Fraport, a segunda maior operadora de aeroportos do mundo, decidiu fechar seu escritório no país. Ela se tornou a última companhia a entrar em uma lista crescente de empresas que deixaram a terceira maior economia da Ásia.

"Quando uma empresa está tentando sair da Índia e essa empresa é respeitada, claramente isso sugere que há algo errado. Sugere que esse lugar não é fácil de se trabalhar", disse Midha.

A Dell possui operações em oito cidades na Índia, onde tem presença desde 1996. Com 27 mil funcionários, a Índia é a maior base de empregados da fabricante de computadores pessoais fora dos Estados Unidos.

"Pela nossa experiência, nós dizemos que, na Índia, o período inicial de um negócio pode ser muito duro, mas que, depois de superado, as coisas se tornam um pouco mais fáceis", disse Midha, que também é o presidente global de mercados emergentes da Dell. Segundo ele, apesar de tudo, a empresa não tem planos de deixar a Índia. / REUTERS

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