Executivo do alto escalão também quer mudar de emprego

Pesquisa mostra que, embora não procurem trocar de posição, podem mudar se for oferecida uma nova oportunidade

SARAH HALZACK , THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h03

É difícil imaginar que altos executivos queiram deixar o emprego. Afinal, eles traçam o escopo e os objetivos das próprias posições. Mas de acordo com um novo estudo, embora muitos executivos do alto escalão não estejam em busca de uma posição diferente, a maioria está disposta a se candidatar a um outro emprego se lhes for oferecida uma nova oportunidade.

Peter Cappelli, professor da Wharton School, Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, estudou os dados de uma importante empresa de recrutamento de executivos para saber com que frequência os líderes empresariais são receptivos às propostas feitas por alguma empresa de recrutamento.

Ele verificou que 55% dos diretores executivos consentiram em participar de uma busca de emprego e 65% dos vice-presidentes executivos também reagiram do mesmo modo.

É importante entender como as empresas de recrutamento trabalham normalmente: quando o candidato a um emprego aceita ser considerado, com frequência não sabe qual é a vaga disponível nem tampouco a remuneração e os benefícios a que terá direito.

Cappelli afirma que "a resposta das pessoas é determinada pelas circunstâncias presentes e não pela natureza da posição que lhes é oferecida".

Até certo ponto não é surpresa o fato de os indivíduos que chegaram ao topo das suas organizações serem mais ambiciosos no sentido de progredir ainda mais na sua carreira.

"Acho que isso reflete o fato de que os executivos seniores são mais experientes", disse o professor Peter Cappelli numa entrevista. "Eles entendem que, da maneira como suas empresas operam, trata-se simplesmente de um mercado de trabalho aberto."

E, de acordo com o professor, o modo de pensar dos executivos se baseia numa crença realista de que na economia global de hoje, com suas rápidas mudanças, seu futuro e também seu empregador são sempre incertos.

Estratégia. As conclusões do estudo podem ser valiosas para profissionais que trabalham com talentos: para as equipes de recursos humanos de empresas são um sinal de que uma estratégia para reter o funcionário é crucial no escalão mais alto de líderes empresariais e não só para os funcionários hierarquicamente inferiores. E, no caso dos chamados caça-talentos, a pesquisa mostra que, usando a estratégia certa, eles têm boas chances de atrair um executivo para preencher uma outra vaga.

Cappelli também concluiu que os executivos com experiências diversas - ou que trabalharam em diversas companhias ou em múltiplas divisões dentro de uma empresa - têm mais probabilidade de considerar novas oportunidades de trabalho. E citou várias razões para isto. Uma delas é que os executivos com currículos menos direcionados, mais amplos, são mais predispostos a aceitar o convite porque acreditam que vão aprender alguma coisa nova com o processo de busca.

As relações pessoais também são importantes. "Quando você trabalha numa empresa durante algum tempo cria vínculos sociais que o retém no local. Quando você muda muitas vezes de emprego não desenvolve essas relações", ele diz.

O professor chegou à essa conclusão porque muitas companhias incentivam seus funcionários a assumir novas posições, mas no mesmo nível, dentro da companhia, de modo a ampliar suas habilidades. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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