REUTERS/Brendan McDermid
REUTERS/Brendan McDermid

Executivo do Fed quer dividir grandes bancos

Recém-empossado presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari teme nova crise como a de 2008 e a necessidade de socorro do governo

Binyamin Appelbaum, THE NEW YORK TIMES

18 Fevereiro 2016 | 08h56

WASHINGTON - Durante a crise financeira de 2008, Neel Kashkari trabalhou incansavelmente para salvar os maiores bancos do país. Funcionário do alto escalão do Departamento do Tesouro nos governos de George W. Bush e Barack Obama, ele ajudou esses bancos a crescerem como nunca. Na terça-feira, ele disse que está na hora de pensar como desmembrá-los.

“Acho que os maiores bancos ainda são grandes demais para falir e são um risco constante e importante para nossa economia”, afirmou ele em evento da Brookings Institution, quando proferiu seu primeiro discurso público como novo presidente do Federal Reserve Bank de Minneapolis.

Kashkari referiu-se à ameaça de uma nova crise financeira que poderá obrigar o governo a socorrer os grandes bancos como fez em 2008 como um raro exemplo de problema nítido e evitável. “O problema é saber se somos um país com coragem para agir de fato agora”, afirmou.

Suas observações agitaram Washington. Opiniões como essas são relativamente comuns de ambos os lados do espectro político e fornecem combustível para as campanhas presidenciais do senador Bernie Sanders, democrata de Vermont, e Donald Trump. Mas ele é um republicano moderado e ex-funcionário do Goldman Sachs.

“Há frases no discurso que imaginaria terem partido de pessoas como Bernie Sanders ou Elizabeth Warren”, disse David Wessel, ex-editor de economia do The Wall Street Journal e moderador do evento da Brookings. “Não esperaria uma afirmação como essa de um republicano do Goldman Sachs.”

Estratégia. Kashkari, que tomou posse no Fed de Minneapolis em janeiro, após um período pós-crise na Pimco, empresa de administração de investimentos, e de uma campanha sem sucesso ao governo da Califórnia, disse estar mostrando a situação da maneira que a vê. E que a sua opinião sobre uma regulamentação financeira tem por base a crise que o convenceu de que salvaguardas simples, mas vigorosas, são as mais prudentes.

“Se não me dispuser a encarar o problema e compartilhar minhas preocupações, então não estou exercendo meu trabalho”, afirmou.

Mas outras autoridades do Fed estão divididas quanto à adequação das reformas após a crise. Eric S. Rosengreen, presidente do Federal Reserve de Boston e voz muito influente quando se trata de regulamentação financeira, disse em discurso recente que o governo registrou “um avanço significativo e que novas normas reduziram a probabilidade e o custo de uma falência de um grande banco”.

Donald L. Kohn, que trabalhou com Kashkari durante a crise como vice-presidente do Fed, declarou que tem mais confiança do que seu colega na lei Dodd-Frank de 2010, que deu novos poderes aos órgãos reguladores para refrear e, se necessário, desmembrar os grandes bancos.

“O novo regime, uma vez implementado, provavelmente funcionará”, disse ele. Para Kashkari, o custo das grandes crises enfatiza a importância de se reduzir os riscos ao mínimo. “Não se trata somente do custo envolvido num pacote de ajuda financeira, mas também os danos econômicos que as crises causam para a sociedade.” / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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