Executivo pode pedir indenização ex-diretor financeiro da sadia

PERFIL

Patrícia Cançado, Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

Adriano Ferreira, ex-diretor financeiro da sadia

O baiano Adriano Ferreira, 41 anos, esteve no centro de um terremoto financeiro na Sadia, que quase levou a empresa à falência. Para escapar da bancarrota, a companhia catarinense, que pertencia às famílias Furlan e Fontana, foi obrigada a se fundir com a rival Perdigão. Com a operação, surgiu a Brasil Foods, uma das maiores empresas de alimentos do País.

O conselho de administração demitiu Ferreira logo após os problemas financeiros, alegando que ele tomou as decisões sem o conhecimento dos acionistas. Até então, o executivo, com apenas 39 anos, era considerado um menino "prodígio" dentro da companhia.

Pessoas próximas a Ferreira dizem que ontem foi um dia de alívio, embora ele ainda saiba que "ganhou uma batalha, mas não a guerra". Aos amigos, o executivo admite a possibilidade de processar a Sadia depois que o caso chegar ao final.

Ferreira viveu um drama pessoal na época. Quando foi demitido da Sadia, em setembro de 2008, sua mulher estava grávida de gêmeos e teve os bebês prematuros, que passaram semanas no hospital. Ferreira passou quase um ano desempregado, mas desde o segundo semestre de 2009 ocupa o cargo de diretor financeiro da Kasinski. Ele entrou na empresa depois que a fabricante de motos foi comprada pela chinesa Zongshen Industrial Group.

Numa reportagem da Revista Piauí, de novembro de 2009, Ferreira conta que tomou conhecimento da sua demissão no fato relevante que a Sadia divulgou ao mercado, em que o responsabilizava pelos prejuízos. Ele diz que só foi informado, oficialmente, da demissão no dia seguinte.

Foi então que divulgou uma carta aberta, se dizendo "surpreso" com a decisão. Ferreira classificava a cultura financeira da companhia como "atípica", e dizia que a decisão de processá-lo era "uma clara tentativa de isentar os demais administradores da Sadia, que geriram a companhia junto comigo e que compartilharam as mesmas decisões e as consequências positivas delas". Na carta, Ferreira contou que operações de derivativos cambiais sempre fizeram parte das "práticas comerciais e financeiras" da Sadia e que, desde 2003, foram responsáveis por 60% do lucro da companhia.

Economista formado pela Universidade Católica de Salvador, começou a carreira na Odebrecht. Passou uma temporada em Madri, na área financeira da Atento, empresa de call center da Telefónica. No fim de 2002, voltou ao Brasil e foi contratado pela Sadia.

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