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Executivo que teria 'contato direto' com doleiro é indiciado

Raggi Badra, diretor de licitações da Camargo Corrêa, é acusado ainda de câmbio ilegal; ele nega

Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2009 | 21h38

A Polícia Federal indiciou nesta sexta o engenheiro Raggi Badra Neto, diretor de licitações da Camargo Corrêa, no inquérito da Operação Castelo de Areia. Badra é apontado pela PF como um dos integrantes de suposta organização criminosa para superfaturamento de obras públicas, licitações fraudulentas e doações eleitorais "por fora".

 

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O executivo foi preso na manhã de quarta-feira em caráter temporário, por decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis. A PF o indiciou pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e câmbio ilegal.

Raggi Badra negou a prática de crimes. Questionado sobre conversas que teve com os outros dirigentes da Camargo Corrêa e com o doleiro, ele reiterou que não realizou nenhuma conduta ilícita.

 

Segundo a PF, ele explicou que apenas mantém contato com os demais funcionários e diretores da empresa. "São contatos profissionais em razão do cargo de direção que ocupo", declarou o engenheiro.

Na audiência, um delegado ligou um gravador e fez Badra ouvir conversas de terceiros captadas pela Castelo de Areia. O executivo afirmou desconhecer as pessoas monitoradas.

 

O engenheiro ouviu o grampo entre Dárcio Brunato, outro diretor da Camargo Corrêa, com uma mulher identificada por Adriana. Os dois falam sobre um cheque para campanha eleitoral que teria sido entregue a Raggi Badra.

 

"É o cheque do... você pega comigo?", diz Adriana.

"É da campanha eleitoral, né?", indaga Brunato.

"Isso, isso mesmo", ela confirma.

"Segura esse cheque, você vai entregar para o Raggi", orienta Brunato. "Mas, tira uma cópia frente e verso."

 

SECRETÁRIA

 

A PF também enquadrou a secretária Darcy Flores Alvarenga, presa sob acusação de agendar encontros de outros dois diretores da construtora, Fernando Dias Gomes e Pietro Giavina Bianchi, com o doleiro Kurt Paul Pickel, apontado como articulador do esquema.

 

Relatório de Inteligência da PF afirma que Darcy é "conhecedora do esquema engendrado para a consecução de ilícitos diversos". O relatório sustenta que Raggi Badra é "atuante no ramo de licitações e estaria perpetrando atividades espúrias ao arrepio da legislação".

 

A PF atribui ao engenheiro "contato direto" com o doleiro Pickel, que também foi preso, com outros três doleiros, todos do Rio, e a cúpula da Camargo Corrêa - além de Badra, estão detidos Fernando Gomes, Dárcio Brunato e Pietro Bianchi.

 

Ao decretar a prisão de Badra e dos outros suspeitos, o juiz De Sanctis assinalou: "Reputo graves os indícios constantes, uma vez que se cuida de grupo devidamente estruturado e organizado para a prática de atividades delituosas, especificamente no que diz respeito ao mercado de câmbio paralelo".

Para o juiz, "a ação dos indivíduos demonstraria o desapego aos valores consagrados que regem o sistema econômico e financeiro e administração pública em geral e que conferem credibilidade e segurança à ordem legal do País".

 

De Sanctis ressaltou que "tais pessoas estariam fazendo operar, em tese, verdadeira instituição financeira paralela, movimentando à margem dos registros oficiais vultosas somas em dinheiro, com objetivo inclusive de fraude eleitoral".

 

DEFESA

 

O criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça que assumiu, ao lado do advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, a defesa da Camargo Corrêa, disse que ainda não teve acesso aos autos. "Nós vivemos num Estado Democrático de Direito e existe a presunção de inocência", observou.

Bastos, antigo conselheiro e amigo do presidente Lula, entrou no caso a pedido do Planalto, diante do receio de que a Castelo de Areia atinja aliados do governo. Oficialmente, ele afirma que pegou a causa porque tem "amigos na Camargo Corrêa" que pediram sua intervenção.

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