Executivo quer trocar de emprego em 2012

Pesquisa mostra que 62% dos gerentes e diretores querem mudança no ano que vem

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2011 | 03h07

A guerra por profissionais no mercado brasileiro não deverá arrefecer em 2012. Isso porque executivos brasileiros estão abertos a propostas: pesquisa da consultoria em recursos humanos Michael Page, que ouviu 500 gerentes, diretores e presidentes de empresas no País, mostra que 62% dos executivos pretendem mudar de emprego no ano que vem. E o principal motivo será dinheiro: a ordem é aproveitar a "maré alta" do mercado para garantir um salto salarial.

Mudar de emprego pode ser lucrativo, afirma Paulo Pontes, presidente da unidade brasileira da britânica Michael Page, porque os salários de contratação vêm subindo à medida que mais empresas aportaram no País e passaram a disputar o limitado "pool" de profissionais do mercado. O executivo informa que, para os mesmos cargos, os salários de contratação subiram entre 25% e 30% em 2011, na comparação com o ano passado.

Ele diz que a realidade do mercado, especialmente para executivos experientes e técnicos muito procurados, como engenheiros, não deve mudar no próximo ano. Pontes diz que, ao contrário do que ocorreu em 2008, quando as empresas frearam as contratações, a expectativa geral do mercado brasileiro é de expansão. "A verdade é que as empresas não preveem um panorama ruim, apesar da situação atual na Europa", diz. "Os profissionais sabem disso, e aproveitam para buscar salários melhores."

Setenta por cento das empresas entrevistadas pela Michael Page dizem que pretendem ampliar a contratação de profissionais no ano que vem, em comparação com 2011. No entanto, boa parte das contratações de cargos de gerência deve se concentrar em áreas como vendas, logística e operações. "Muitas empresas estão concentradas em aumentar sua abrangência geográfica no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. E os profissionais de vendas e logística são fundamentais neste processo", afirma Pontes.

Migração. Com o mercado aquecido, os profissionais se dão ao luxo de fazer escolhas mais ousadas. Os executivos de hoje estão mais propensos a trocar um emprego "estável" em uma multinacional por uma oportunidade em uma companhia em forte expansão, que geralmente oferece pacotes agressivos de remuneração variável, com bônus generosos relacionados a metas. "Hoje, setores mais calmos tendem a perder pessoas para aqueles que crescem mais rapidamente, como o setor de óleo e gás", diz Pontes, citando a construção civil como exemplo de segmento sujeito a perder talentos.

A busca de um desafio em um setor mais "quente" levou a diretora de RH Marília Maya a sair do segmento do agronegócio e retornar ao setor financeiro. Ela saiu do grupo Agco para assumir a área de recursos humanos da Western Union para a América Latina depois que a empresa desmembrou a região em uma unidade de negócios independente sediada em São Paulo.

Embora a Western Union tenha operações de grande porte em países como Argentina e Peru, o negócio ainda é pequeno no Brasil - a equipe se resume hoje a 40 pessoas. "Temos um time enxuto, mas que trabalha de olho na possibilidade de um crescimento exponencial (nos próximos anos)", afirma a executiva. "Muitos dos nossos contratados fizeram essa troca de uma situação estável por algo mais desafiador. Tomei essa decisão agora porque não sei se teria pique para fazer o mesmo daqui a cinco ou dez anos."

A fabricante de motocicletas Kasinski é um outro exemplo de empresa que ampliou o corpo de executivos priorizando o "perfil empreendedor". A companhia, que faturava R$ 50 milhões em 2009, quando foi adquirida pelos atuais donos, deverá fechar este ano com receita de R$ 350 milhões. A expansão exigiu que a empresa contratasse vários profissionais para cargos de liderança ao longo de 2011. "Mudamos a diretoria de marketing, a comercial e contratamos um gerente industrial e um gerente de qualidade para a nossa fábrica na China", diz Cláudio Rosa Júnior, presidente da companhia.

Para preencher as vagas disponíveis, o Rosa Júnior afirma que foi necessário escolher trabalhadores de outros segmentos, como componentes automotivos, bens de consumo e varejo. O que mais importa para a companhia, segundo o executivo, é a pessoa trabalhar de olho nos resultados. "Nossos salários estão na média do mercado, mas nossos benefícios são piores", explica. "A estratégia de atração está baseada nos bônus anuais e na distribuição de ações, que implantaremos a partir de 2012."

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