Executivo suiço do Credit Suisse deixa carceragem da PF

O suíço Peter Schaffner deixou a carceragem da Polícia Federal em São Paulo à 0h43 deste sábado. Depois de 10 dias sob custódia da PF, ele saiu carregando um saco preto e uma pasta executiva. Schaffner foi acompanhado por seus três advogados até o estacionamento do local e não se pronunciou. O interrogatório do executivo, que é responsável pelas atividades do escritório do banco Credit Suisse no Brasil, durou cerca de três horas. A polícia investiga, além de Schaffner, outros seis gerentes do escritório por suposta lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha, por meio de serviços oferecidos pela instituição. O Estado apurou a presença de políticos na carteira de clientes do escritório. "O objetivo é demonstrar que o escritório de representação do banco, vinculado diretamente à matriz na Suíça, opera de modo ilegal no país, captando clientes interessados em abrir e movimentar contas bancárias numeradas no exterior, em especial na Suíça, a fim de amparar remessas não autorizadas de divisas, dissimuladas em forma de operações de compra de títulos de capitalização daquele banco", diz nota da PF. Os advogados do executivo, que acompanharam todo o depoimento, afirmaram que ele ficará em São Paulo no final de semana, acompanhado da esposa, uma brasileira não identificada. O Ministério Público Federal e a PF não requereram à Justiça a prisão preventiva de Schaffner. Isso ocorreria apenas se ele se negasse a prestar as informações necessários para o inquérito policial. A prisão de Schaffner Na terça-feira da semana passada, a PF apreendeu documentos e computadores no escritório, instalado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na capital paulista. Schaffner foi preso no dia seguinte na área vip do aeroporto internacional de Guarulhos, quando embarcaria para a Suíça. De acordo com a PF, Schaffner teria adiantado sua ida, já que a passagem estava marcada apenas para o início do mês de abril. Tanto o passaporte do executivo quanto dos outros gerentes (quatro são também suíços e os outros dois brasileiros) foram apreendidos. Na sexta-feira, o desembargador Cotrim Guimarães, do Tribunal Regional Federal, concedeu liminar aos advogados do escritório do Credit Suisse, permitindo que eles tenham acesso ao procedimento criminal. O pedido havia sido negado pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal, especializada em crimes financeiros. Foi Sanctis quem expediu a prisão temporária do executivo e também a prorrogou por mais cinco dias. O delegado do caso, Ricardo Saad, ainda não se pronunciou. A investigação começou em dezembro do ano passado. Horas de escuta telefônica fizeram a polícia desencadear a Operação Suíça. Além do escritório, foram feitas apreensões em duas residências. Schaffner mantinha na Suíça um site pessoal, que foi tirado do ar logo após sua prisão. Na internet, conforme o Estado teve acesso, ele afirmava ser experiente em transações internacionais, fluente em cinco idiomas, campeão suíço de saltos ornamentais e formado em economia.

Agencia Estado,

01 Abril 2006 | 11h46

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