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''Executivo usa o tempo de forma errada''

Para Stephen Covey, ações deviam seguir ''lei da relevância''

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2008 | 00h00

Os executivos gastam 50% a 60% do tempo resolvendo problemas urgentes, mas não necessariamente importantes para a empresa. A constatação é do consultor americano Stephen Covey, especializado em liderança e autor do best-seller de auto ajuda empresarial Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, que participou ontem do evento ExpoManagement, em São Paulo. A pesquisa citada por Covey é recente e foi feita com funcionários de mil empresas americanas e estrangeiras, incluindo as brasileiras.Segundo ele, os executivos e funcionários seguem a "lei da urgência", enquanto deveriam seguir a "lei da relevância". Covey disse que apenas 25% do tempo diário de trabalho é gasto com atividades ao mesmo tempo urgentes e importantes, e ainda menos (15%) é dedicado a questões importantes. "Esse é um modelo da era industrial. Aprendemos que era preciso resolver as urgências do dia-a-dia. Agora, precisamos de um novo modelo."A divisão ideal para os executivos da era da informação seria de 65% de dedicação a atividades importantes e não urgentes (como planejamento e identificação de oportunidades), 20% às importantes e urgentes (como crises) e 15% às urgentes, mas não importantes (relatórios desnecessários). "Em geral, aquelas empresas consideradas muito eficientes reúnem pessoas que já fazem essa divisão."Nem sempre, segundo ele, as pessoas erram a divisão de seu tempo propositalmente. "O trabalho pode ser comparado a uma partida de futebol de crianças bem pequenas num sábado de manhã. Cada um correndo para um lado, ou todos atrás da bola, sem saber bem onde é o gol", disse, fazendo um trocadilho com a palavra inglesa goal, que significa tanto gol quanto objetivo. Isso ocorre, no entanto, porque muitas vezes as equipes não sabem mesmo o que fazer. "Apenas 15% das pessoas sabem dizer quais as metas de sua área ou sua empresa", afirmou Covey. "Se o líder não explicar claramente, não as disser ou mudá-las com freqüência, não pode cobrar resultado, pois a equipe não entende o que deve fazer com afinco."A "marcação cerrada" do futebol também não ajudará os executivos a obterem resultados. "Quanto maior o controle do líder, mais passividade ele obterá da equipe, e não engajamento. Ele precisa inspirar as pessoas, não obrigá-las a obedecer." Apenas 20% das pessoas se considera realmente engajada às metas de sua atual empresa, afirmou.Na entrevista ao Estado, Covey aproveitou para dar um recado aos executivos brasileiros: "Não adianta sentar e chorar pelas dificuldades enfrentadas, seja durante os momentos de crise ou não." Segundo ele, é preciso "fazer coisas nunca antes feitas para alcançar metas nunca antes alcançadas". Jim Collins, professor da Universidade Stanford e autor de Empresas Feitas para Vencer, acrescenta um outro item às recomendações de Covey. "Não adianta planejar e montar uma estratégia e não escolher as pessoas certas", disse. "O executivo tem de escolher as pessoas naturalmente motivadas e colocá-las em posições-chave. Cobrar das pessoas erradas apenas as desmotiva mais."

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