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Executivo vê mais perspectiva na UE que na Alca

O presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luis Fernando Furlan, afirmou que vê mais perspectivas para a agricultura nas negociações com a União Européia do que com a Alca. Furlan participou nesta manhã, em São Paulo, do seminário "Alca: Cada Vez Mais Próxima", promovido pela Câmara Americana de Comércio. Segundo Furlan, na área agrícola os EUA se apresentam mais como concorrentes do que como mercado consumidor das exportações brasileiras. "Basta ver que apenas 7% de nossas exportações agrícolas vão para os EUA, enquanto a UE recebe quase metade das exportações brasileiras e mais da metade das exportações de todo o Mercosul", observou. Na área de carnes, que Furlan representa, o cenário é ainda mais desanimador. "Não entrou um único quilo de carne in natura congelada do Brasil nos EUA, enquanto a Europa é um grande mercado para nossa avicultura", disse. O executivo da Sadia também notou que a Comissão Européia, órgão executivo da UE, já tem mandato para negociação comercial com o Mercosul há um ano. "As negociações já se iniciaram e a Europa já acenou com alguns benefícios para a agricultura." Luis Fernando Furlan afirmou que a iniciativa privada brasileira precisa refinar sua estratégia comercial para obter novos mercados. "Nós não dominamos os canais de distribuição, não fazemos parcerias nos mercados de destino e não agregamos valor", afirmou. Furlan destacou que a ampliação da receita com as exportações do agronegócio requer um conhecimento mais amplo dos mercados, que estão muito segmentados. "No caso da Europa mesmo, o Brasil precisa aproveitar a preocupação com transgênicos, que não produzimos, para agregar valor e diferenciar nossa produção das demais", afirmou. "A Sadia está em 60 países, com várias parcerias, e em alguns até com a marca própria", afirmou. Nas negociações para liberação do comércio, afirmou que o Brasil deve ter como exemplo a estratégia dos empresários mexicanos quando do estabelecimento do Nafta. "Eles mapearam todos os potenciais aliados que tinham dentro dos EUA, de congressistas com parentes mexicanos a empresas com interesses no país, e conseguiram ter um bom resultado em várias áreas", observou. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Citros (Abecitrus), Ademerval Garcia, contradisse as sugestões de Furlan e afirmou que a indústria de suco de laranja não vai participar de esforços intensos para abrir o mercado americano. Bem humorado, ele brincou com executivo da Sadia: "Adoro ouvi-lo falar primeiro, é um prazer, mas melhor ainda é ter o prazer de falar depois." Segundo Garcia, o que a indústria do suco de laranja quer, pretende obter no âmbito da OMC. "Quem tem interesse em ganhar dólar é o governo, porque o exportador sempre recebe em reais, vendendo para o Mato Grosso ou para a Flórida", afirmou. Garcia afirmou que a Abecitrus está focando seus esforços em mercados que estão com maior potencial, caso da Europa Oriental e da Ásia. Nas negociações com a Alca para o suco de laranja, ele prevê uma parada dura: "Os custos crescentes dos produtores da Flórida, com defesa vegetal e ambiente, estão deixando os EUA cada vez menos competitivos, e os produtores estão defendendo com mais ferocidade a possibilidade de colocar o suco na lista de exceções", disse. Atualmente, os EUA impõem uma tarifa fixa de US$ 418 por tonelada de suco que entra no país. Garcia notou que essas tarifas acabam sendo mais punitivas para o produtor agrícola brasileiro do que para a indústria de esmagamento. "E diga-se de passagem, esses US$ 418/t é mais ou menos a remuneração total do produtor de laranja." Atualmente, o Brasil exporta de 15% a 18% de sua produção de suco para os EUA. Da produção brasileira total de suco, 98% é exportada.

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