Executivos ainda preferem EUA e Europa

Pesquisa mostra que 84% dos executivos se mudaria por causa da crise, mas poucos iriam para países emergentes

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

Escapar da crise seria um motivo bom o bastante para cogitar a possibilidade de morar em outro País. Um levantamento feito pela consultoria Korn/Ferry em cerca de 70 países mostrou que 84% dos executivos consideraria se transferir para o exterior e 55% já estão dispostos a mudar de país para ter uma nova posição. "Os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) aparecem na pesquisa como os que vão concentrar a maior parte das novas oportunidades de carreira", diz o sócio-diretor da Korn/Ferry, Rodrigo Araújo. Desde setembro, a consultoria detecta um aumento no número de contatos de executivos estrangeiros interessados em vir para o Brasil. A razão é que o mercado nacional ainda aparece como um dos menos atingidos pela crise no cenário mundial, e mesmo com a valorização do dólar, o longo período da moeda em baixa fez a remuneração dada aos executivos brasileiros se equiparar aos valores oferecidos aos executivos americanos e europeus. Ainda assim, não ocorre um êxodo para cá ou para os demais países em desenvolvimento. Apesar de serem apontados como celeiros de oportunidades, Araújo explica que os Brics não são os mais atraentes para os interessados em mudança de país, segundo a pesquisa. "A infraestrutura desses países ainda pesa contra a chegada de executivos de fora", diz o diretor. "O executivo avalia segurança, sistema de saúde, escola para os filhos e, com essa avaliação, a maioria opta por países que não são os em desenvolvimento." Os destinos preferidos ainda são os países europeus e a América do Norte. Segundo o diretor, quando a decisão não precisa levar em conta o fator "família", os Brics são mais interessantes. "Quem souber lidar com mercados difíceis terá muita oportunidade de crescer nesses lugares." A intenção de mudança de país está muito vinculada ao medo de demissões. Só nos Estados Unidos, estima-se que ao longo de 2009, serão perdidos cerca de quatro milhões de empregos, e o índice de desemprego pode chegar a 9% da população ativa, contra os atuais 6,7%. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a crise aumentará o número de desempregados no mundo em 20 milhões, e considerou que o desemprego pode alcançar um recorde de 210 milhões de pessoas no fim de 2009. Para 85% dos entrevistados, o desemprego será um dos grandes problemas que se acentuará em 2009. Mas essa resposta pode indicar o excesso de apreensão de muitos executivos. Apesar de apostarem no aumento do desemprego, quase metade (47%) dos entrevistados afirmou que suas empresas estão contratando funcionários, mesmo com esse momento da economia. Outros 27% disseram que suas companhias congelaram as contratações e vão manter o quadro de pessoal para 2009. Apenas 26% declararam que suas empresas estão diminuindo o número de pessoas. "A busca por executivos vai continuar. No Brasil, faltava muita mão-de-obra e ganhou-se tempo para encontrá-la", diz Alfredo Assumpção, CEO da Fesa, especializada em seleção de altos executivos.

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