Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Executivos dizem que já percebem a melhora da economia

Avaliação é que alta das vendas e interesse por crédito são indícios de que a recuperação começa a se consolidar

O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 23h37

Se a recuperação da economia era uma expectativa até poucos meses atrás, as empresas agora já contabilizam a melhora do cenário econômico em seus balanços. “Agora a trajetória é ascendente, pois a recuperação já é percebida até nos bens duráveis e semiduráveis”, disse o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, referindo-se à recuperação de mais de 20% nas vendas de veículos no acumulado de 2017, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para o setor têxtil, Rocha previu que, até o fim do ano, o ritmo já estará entre 6% e 7% acima do registrado no mesmo período de 2016. Embora ainda admita que o desemprego está em um patamar alto – acima de 12% –, o presidente da Riachuelo afirma que as contratações devem se acelerar ao fim desse ciclo positivo que já foi iniciado. “O emprego é o último indicador a apresentar melhora.”

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, espera que o fim deste ano seja melhor que o do ano passado, ainda que o crédito não deva apresentar crescimento no acumulado deste exercício. Segundo o executivo, a demanda por empréstimos em setembro já está melhor que em agosto. Ele disse que a expectativa é de crescimento nos próximos 12 meses.

“O crédito está se movimentando e parou de refluir. Não podemos esperar evolução do crédito neste ano. De setembro deste ano até setembro de 2018, o crédito deve crescer. Esperamos que o fim de ano seja melhor do que foi em 2016.”

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A empresa de captação de pagamentos Cielo, que sente diretamente o comportamento do varejo, também percebe que os sinais negativos no varejo começam a ser amenizados. O presidente da Cielo, Eduardo Gouveia, afirmou que o comércio sofreu muito com o fechamento de estabelecimentos – especialmente os de pequeno porte –, mas que agora o fechamento de lojas começa a arrefecer.

“Temos um olhar otimista, porque acreditamos que o governo (do presidente Michel Temer) chegará ao fim do mandato, o que aumenta as chances de ser feita a reforma da Previdência”, disse o executivo.

Exportações. O presidente da Weg, Harry Schmelzer Júnior, disse acreditar que políticas públicas de impulso à exportação seriam a melhor forma de estimular uma retomada da indústria brasileira e reduzir a capacidade produtiva ociosa, que hoje está em altos patamares e reduz a possibilidade de novos investimentos no setor.

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O executivo afirmou que os investimentos em infraestrutura, que poderiam dar um ânimo à economia, só devem ser concretizados no longo prazo. Ele frisou ainda que, para a indústria nacional se recuperar e voltar a investir, deveria ganhar competitividade para voltar-se mais à exportação, como faz a Weg, e não apenas focar o mercado interno.

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