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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Executivos do SocGen abrem mão de bônus

Sob pressão do governo francês, diretoria desistiu de bonificações

Agências internacionais, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2009 | 00h00

Após dias de polêmica, quatro diretores do banco francês Société Général (SocGen) renunciaram ao recebimento de 340 mil opções de ações como bônus. Eles cederam a pressões de sindicatos e do governo francês que ameaçou criar uma legislação própria para as bonificações de executivos."Para acabar com a polêmica, decidimos renunciar ao benefício e informamos ao conselho de administração", disseram por meio de uma carta transmitida ontem à AFP e que será enviada aos funcionários do banco na segunda-feira.Ontem, a ministra de Finanças francesa, Christine Lagarde, pediu aos executivos que desistissem das bonificações, ao menos enquanto o banco recebe ajuda do Estado. O governo francês injetou 10,5 bilhões (US$14.2 bilhões) nos bancos franceses em dezembro, sendo 1,7 bilhão no Société. Em entrevista a uma rádio, a ministra disse que está na hora de o banco operar mais em linha com os interesses da população. "Espero sinceramente que os dirigentes do banco tenham um sentido de responsabilidade que vá mais longe."Os executivos haviam prometido na sexta-feira que não receberiam os bônus, mas Lagarde cobrou que eles fizessem isso formalmente juntos o quanto antes. "Dado momento atual, isso me parece ser um gesto responsável", disse. "Os tempos mudaram e, claramente, é necessário que haja uma mudança de comportamento."O secretário-geral do sindicato Força Operária, Jean-Claude Mailly, considerou ontem, em entrevista a uma rádio, que havia "um lado indecente", nos planos de opções de ação. "Quando há empresas que têm uma forma ou outra de ajuda do Estado, é completamente lógico que não haja opções de ação", analisou.Na quarta-feira da semana passada, o anúncio de que o presidente do banco Daniel Bouton receberia 70 mil opções de ações e que o diretor-geral Frederic Oudea receberia outras 150 mil, desencadeou uma série de discussões, num contexto marcado pela mobilização social na França. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chegou a expressar surpresa. "Quando há planos sociais, ajudas públicas, os bônus, as opções de ação e as remunerações são inadmissíveis."

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