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Um ano depois da tragédia de Brumadinho, a cidade tenta se reconstruir, mas ainda busca desaparecidos TIAGO QUEIROZ / ESTAD?O

Executivos recorreram a ‘seguro reputação’

Concedida pela Vale, cobertura é acionada em casos de corrupção e de risco ambiental

Mônica Scaramuzzo e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2020 | 05h00

Para se defenderem de potenciais acusações de negligência pela tragédia ambiental de Brumadinho, executivos da Vale acionaram o seguro de responsabilidade civil de diretores e Administradores (D&O), conhecido no mercado como “seguro de reputação”. Comum nos EUA, essa cobertura é concedida ao alto escalão de grandes empresas que têm riscos ambientais ou que podem enfrentar processos de corrupção.

No caso da Vale, esse seguro garante não só a defesa jurídica, mas a proteção do patrimônio pessoal dos principais executivos, de atos e decisões tomadas por eles em suas funções em cerca de US$ 150 milhões. Antes do desastre de Mariana, essa cobertura, feita pela seguradora Zurich, era de US$ 200 milhões.

Após a tragédia de Brumadinho, quatro executivos da Vale foram afastados. Além de Fabio Schvartsman, saíram Peter Poppinga, responsável pela área de ferrosos e carvão do grupo, Lúcio Flávio Gallon Cavalli, de planejamento, e Silmar Magalhães Silva, de operações do corredor sudeste. Todos continuam recebendo salários da Vale.

Responsável pelas operações da mineradora, Peter Poppinga corre o risco de ser responsabilizado criminalmente pelo acidente, dizem fontes.  Apesar do afastamento de Poppinga ter sido anunciado como temporário, seu contrato com a Vale terminou no ano passado. Fora do mercado, ele vive em compasso de espera de uma eventual denúncia. Representado pelo escritório David Rechulski,

Poppinga tem adotado postura colaborativa com as autoridades. Também entregou seus passaportes – brasileiro e alemão, já que tem dupla nacionalidade – depois que o Ministério Público Federal tentou pedir sua prisão alegando a possibilidade de fuga do País.

O executivo já enfrentava ação penal relativa ao rompimento da barragem da Samarco, joint venture entre Vale e BHP, em Mariana, em novembro de 2015, por ser conselheiro de administração do grupo. Em setembro passado, contudo, o juiz do caso Samarco rejeitou a denúncia do MPF contra os membros do conselho.

Uma análise técnica sobre barragens preparada pelo especialista em mineração, Juarez Saliba, que é executivo da Vale, e um relatório de governança e risco da auditoria Delloite, que foram pedidos por Fabio Schvartsman antes do acidente de Brumadinho, serão usados pelas defesas dos executivos. 

Procurados, Zurich, Delloite e Rechulski não comentam.

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