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Executivos trocam bancos por empresas de varejo e indústrias

Movimento é reflexo da redução dos bônus pagos pelas instituições financeiras, consequência direta da crise de 2008

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2013 | 02h06

Não é que o salário deles esteja inferior, mas os altos executivos brasileiros que trabalham no mercado financeiro estão, cada vez mais, enxergando oportunidades em outras áreas. Todo ano, dez em cada cem profissionais desse setor abandonam a tarefa de negociar dinheiro para ir para os segmentos de bens de consumo, indústria e tecnologia, segundo a empresa de recrutamento Fesa. Há duas razões opostas para isso: a crise financeira de 2008 e o crescimento do mercado de consumo do País.

Cinco anos atrás, depois de instituições de crédito dos Estados Unidos quebrarem, uma nova regulamentação, mais criteriosa, passou a reger o setor. "A atenção voltou-se para a necessidade de haver organizações menos endividadas e para a restrição da remuneração variável dos executivos", explica Renata Fabrini, sócia da Fesa.

Essa vigilância acabou se estendendo nos anos seguintes. A crise nos bancos europeus e a manipulação da Libor (taxa usada como referência em Londres para transações internacionais) contribuíram ainda mais para o cenário de desconforto.

Esse movimento ocorreu em escala global. E os profissionais das diversas multinacionais que atuam no País acabaram sentindo os efeitos. A atuação dos bancos ficou mais restrita e o ambiente para os altos executivos passou a ser de limitações - com gratificações bem menos generosas do que as de antes.

Hoje, muitas vezes uma simples contratação de um analista tem de passar pela aprovação de um presidente global, segundo Bernardo Cavour, sócio da empresa de recrutamento Flow. "A pressão da matriz faz o dia a dia do banco internacional ser difícil e limita o potencial de resultado do executivo."

Mas esse desânimo tem encontrado um alento no crescimento das pequenas e médias empresas brasileiras. Em fase de profissionalização, esse setor está envolvido em grandes projetos e tem recebido investimentos com maior frequência.

A maior parte dos altos executivos deixa o setor financeiro para ir para o de bens de consumo. Entre 2011 e 2013, 56% das migrações se concentraram nessa área, segundo o estudo da Fesa. Já indústria e tecnologia receberam, respectivamente, 28% e 16% desses profissionais.

Há ainda os que deixam a infraestrutura de um banco (e o salário gordo) para empreender por conta própria, como o soteropolitano Marcos Almeida, de 45 anos. Depois de 21 anos no mercado financeiro, com passagens por bancos internacionais, ele se tornou consultor de marketing e negócios em 2010.

Mas os headhunters o acharam, e Almeida voltou a um cargo executivo em 2011, como presidente da universidade Unijorge. "Isso me seduziu, porque a área de educação passa por transformações relevantes. Fora que aqui é a criatividade e a inovação que ditam o sucesso, e não a excelência operacional."

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