Exército boliviano de prontidão na fronteira

O exército da Bolívia está de prontidão na fronteira de Arroyo Concépcion com a cidade de Corumbá no pantanal de Mato Grosso do Sul, para evitar novos confrontos entre bolivianos que estão a favor e contra a permanência da siderúrgica brasileira MMX em Puerto Suarez, vizinha de Arroyo Concepción. As tropas chegaram ao local nesta quarta-feira no início da tarde com aproximadamente 80 soldados fortemente armados. Na terça-feira por volta de 19h, houve enfrentamento entre os manifestantes ocorrendo chutes, socos, pedradas, cacetadas, tiros e até explosões de fogos de artifícios.Um grupo de 120 bolivianos fugiu da briga e buscou refugio no prédio da Receita Federal do Brasil, onde passou a noite depois de ser expulso da Bolívia. A fuga permitiu que eles tomassem posição de ataque no lado brasileiro e receberam reforços de outros manifestantes. Durante toda a quarta-feira tentaram bloquear novamente a divisa, num vai-e-vem que agitou a região. São na maioria, trabalhadores demitidos da siderúrgica brasileira MMX expulsa do país vizinho por determinação do presidente Evo Morales. Do lado boliviano, ficaram os comerciantes que conseguiram romper a barreira dos que protestavam pró MMX, e liberar a fronteira. A troca de insultos obrigou o reforço na segurança."É boliviano contra boliviano", comentou o presidente da associação dos bairros de Arroyo Concepción, e Puerto Quijarro, Marco Antonio Alcorce. Ele disse que ao chegarem à região bloqueada, os comerciantes foram recebidos a tiros, pedras e paus. "Quem está à frente dos protestos é um pessoal de Puerto Suárez que é financiado pela EBX e não o povo fronteiriço, que vive do comércio e não faz parte da siderúrgica", afirmou.MovimentoDesde o dia 28 de abril, os comitês cívicos dos municípios de Arroyo Concépcion; Puerto Quijarro; Puerto Suarez e El Carmen Riveiro Torrez realizavam bloqueios que impediam o cruzamento da faixa fronteiriça. Também interditaram estradas, ferrovias, aeroporto e o comércio da região em defesa da criação e manutenção dos postos de trabalho fechados pelo governo boliviano. Essas ações foram denominadas de "Paro Cívico", que segundo o presidente do Comitê Cívico de Puerto Suarez, Edil Gericke vai continuar, apesar do conflito da Quarta-feira. Ele disse que para a continuidade do movimento é necessário rever as estratégias. Nicola Vacca, subprefeito da Província de German Busch, foi verificar de perto a liberação da fronteira e a reabertura do comércio na região. Aproveitou a ocasião para informar aos manifestantes, que a adesão da cidade de Santa Cruz de La Sierra, a segunda mais importante da Bolívia, estava descartada. Segundo garante os manifestantes que ficaram do lado brasileiro, não haverá acordo. A decisão continua sendo a continuidade do "Paro Cívivo", com ações mais enérgicas e organização para não acontecer mais surpresa. Eles acreditam que até amanhã poderão voltar para a Bolívia e bloquear a divisa novamente, até que sejam reabertos os postos de empregos fechados por Evo Morales.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.