Exigência de BC reduz emissões de debêntures

A determinação do Banco Central (BC) para que os fundos de investimento marquem seus papéis a valor de mercado e o pagamento do Imposto de Renda (IR) pelos fundos de pensão estão provocando forte desaquecimento para as novas emissões de debêntures no mercado doméstico. Segundo fontes da área de mercado de capitais consultados pela Agência Estado, trata-se de um fenômeno localizado e temporário, e as emissões deverão voltar ao normal assim que o mercado de fundos se adequar à marcação exigida pelo BC e as fundações concluírem os pagamentos de dívidas tributárias acumuladas nos últimos anos. "Por conta desses dois fatores, as novas emissões de debêntures estão mais tímidas de maneira geral", afirma o diretor de Estruturação de Mercado de Capitais do Unibanco, Antonio Miranda. A marcação a mercado dos papéis em carteira dos fundos de investimento exigida pelo BC provocou uma expressiva elevação de rendimento dos papéis públicos. Os títulos cambiais com swap (troca) - NTN-Ds e NBC-Es com troca de indexador de dólar para CDI -, principais concorrentes entre os investidores com títulos de empresas privadas, passaram a render algo em torno de 110% do CDI, uma taxa em pé de igualdade às rentabilidades oferecidas pelas emissões privadas, com a vantagem de contarem com o risco de crédito soberano do Tesouro, considerado o mais seguro do mercado. "Essa mudança levou o rendimento dos papéis de mercado com swap (troca) a CDI a taxas interessantes, concorrendo diretamente com a empresa privada", atesta Miranda. Além disso, como lembra o analista de Renda Fixa do Santander Investment, Roberto Almeira Prado, os investidores estão receosos em assumir papéis de liquidez restrita e prazo longo no mercado. "Não há um mercado secundário desenvolvido para sair com facilidade do papel em um eventual momento de estresse", lembra o analista. Pagamento de IR traz problema de liquidezAo mesmo tempo que o aumento dos prêmios dos títulos cambiais com swap (troca) disputa com as emissões em debêntures a preferência dos investidores, o pagamento do Imposto de Renda pelos fundos de pensão também é citado como fator de desestímulo a novas colocações, só que desta vez por questões de liquidez. O raciocínio é simples: as fundações, um dos principais alvos das emissões de debêntures, ao lado dos fundos DI e renda fixa, estão gastando grandes somas de dinheiro neste ano para quitarem antigas dívidas de Imposto de Renda que estavam em disputa judicial com a Receita Federal. Com menor liquidez em função dos pagamentos, o interesse por novas emissões de empresas privadas diminui. "Essa chamada de liquidez tem uma clara influência sobre o desaquecimento", comenta Antonio Miranda, do Unibanco. Estes pagamentos, que estão demandando valores mensais da ordem de R$ 1 bilhão das fundações, se encerra somente no segundo semestre deste ano. Além disso, os analistas também citam o início do pagamento de impostos sobre ganhos de aplicações financeiras para os fundos de pensão como outro fator de chamada de liquidez com efeitos negativos para o mercado de debêntures. Diante desse cenário, as empresas que estão colocando debêntures no mercado têm de aceitar pagar taxas substancialmente mais salgadas. A distribuição dos R$ 690 milhões em debêntures que a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) inicia amanhã, por exemplo, sairia a uma taxa de 1,90% mais CDI. Terá de pagar 2,75% mais CDI.

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