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Exigências dos bancos excluem empresas médias

Ação do BC acabou transferindo o crédito para as grandes empresas

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

Os esforços do Banco Central (BC) para irrigar o sistema financeiro e destravar o crédito tiveram efeito contrário para pequenas e médias empresas. Com os bancos nacionais substituindo os estrangeiros na liberação de dinheiro para as grandes companhias, os pequenos tomadores "herdaram" as restrições para obter crédito. Mesmo com a liberação de duas linhas de capital de giro pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o dinheiro continua parado."As linhas foram disponibilizadas, mas as pequenas e médias companhias não conseguem acessá-las", afirma o economista Miguel Silviano, diretor-técnico da Consult Service. Segundo ele, os bancos comerciais, que oferecem as operações com o capital do BNDES, têm exigido desses empresários garantias reais de até 130% do valor do financiamento. "Isso não faz parte da realidade desses empreendedores, que às vezes têm apenas o imóvel da família para oferecer."Com as dificuldades nos bancos, muitas pequenas e médias companhias têm buscado alternativas de financiamento. Dono de duas casas de eventos para o público infantil em São Paulo, o empresário Darryl Kirsh está enfrentando a escassez de crédito com a ajuda de seus fornecedores. "Estamos renegociando prazos e repassando o capital ao negócio", diz.Kirsh também lançou mão de antecipação de recebíveis, como cheques, nos bancos, e restringiu as condições de pagamento para os clientes. "Diminuí prazos e estou dando prioridade ao pagamento à vista, mas com desconto."O empreendedor teve uma linha de crédito para capital de giro cortada no fim do ano passado. A única justificativa do banco, que o avisou da decisão por e-mail, era de readequação na distribuição de crédito para os clientes pessoa jurídica. Do dia para noite, Kirsh se viu sem uma das três linhas que financiavam a operação da empresa, que planejava estrear um modelo de franquia este ano.Nas duas linhas que restaram, com grandes bancos comerciais, as taxas de juros subiram quase 50%, conta ele. "Minha sorte foi estar trabalhando com vários bancos. Mesmo assim, a situação piorou muito", afirma.Segundo ele, além de encarecer as linhas, a exigência de garantias maiores piorou a situação. "Somos uma pequena empresa de serviços, que não tem ativos para dar em garantia. Até nossa sede é alugada."A empresa de gestão de risco ambiental Ecosorb buscou outra solução para o problema. Segundo o presidente da empresa, Fernando Pecoraro, o capital dos sócios - entre eles, um fundo de investimentos - está sendo usado para dar continuidade às operações da companhia. "Temos buscado dinheiro com os acionistas." Unibanco e Real, os bancos com as quais a companhia mantinha linhas de crédito para capital de giro, endureceram as condições para emprestar. "Os limites para empréstimo diminuíram e as garantias aumentaram", conta o executivo. Segundo Pecoraro, a exigência de garantias financeiras - muitas vezes maiores do que o próprio valor do empréstimo - tem inviabilizado algumas operações. "As garantias reais pedidas estão maiores", afirma o presidente da empresa de embalagens Jaguaré, Mituru Mori. Segundo ele, além disso, o processo de aprovação para os pequenos e médios empresários também está mais moroso.

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