Existe uma inflação de demanda se formando na economia?

Análise:

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2010 | 00h00

A redução na oferta de alimentos in natura, que neste início de ano puxou para cima os preços, assim como os reajustes das mensalidades escolares, das tarifas de ônibus e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), deverá perder força nos índices de inflação nos próximos meses.

Mas, no lugar dessas pressões de preços típicas desta época, que foram acentuadas neste ano pelo excesso de chuvas, no caso dos alimentos, o mercado já antevê uma inflação provocada pelo aumento da renda e do consumo. Segundo economistas, essa pressão deve começar a aparecer na inflação ao consumidor no segundo semestre e ganhar força em 2011.

A pesquisa do Boletim Focus do Banco Central (BC), divulgada ontem, já mostra que o mercado considera essa possibilidade. Pela nona vez seguida, subiu a previsão de inflação oficial para este ano, projetada agora em 5,10%. As estimativas para 2011 também foram corrigidas para cima e estão em 4,70%. Tanto para 2010 como para 2011 a expectativa é de que a inflação fique acima do centro da meta prevista pelo BC, de 4,5%,

Para o economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, depois das pressões deste início de ano, a inflação deve ter "um respiro" entre abril e julho. Mas deve voltar a ser pressionada a partir de agosto por causa do maior ritmo de atividade da economia.

Essa também é a avaliação do economista da LCA Consultores Fábio Romão. Ele espera uma inflação bem comportada entre abril e junho. Maiores altas de preços, em razão do consumo aquecido, devem ocorrer, segundo Romão, a partir do segundo semestre e, principalmente, no ano que vem.

Um dos fatores que, na opinião de Oliveira, devem impulsionar o consumo e os preços é a própria recuperação do mercado de trabalho. Nesta semana, será conhecida a taxa oficial de desemprego de fevereiro.

Nas contas do economista do Banco Safra, o indicador, descontados os efeitos típicos de fevereiro, deve ter recuado de 7,6% em janeiro para 7,4% no mês passado. Se o cálculo se confirmar, será o menor nível de desemprego da série histórica. Com o mercado de trabalho aquecido, a perspectiva é de alta da massa de salários, um dos combustíveis para a elevação do consumo.

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