Expansão acima de 4% não é sustentável, admite governo

Fonte da equipe econômica reconhece que crescimento sofre limitação por falta de mão de obra e de infraestrutura

FERNANDO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h05

O limite de crescimento brasileiro atualmente está por volta de 4% ao ano, reconhece um destacado membro da equipe econômica do governo. "De forma sustentável, acima de 4% é difícil hoje. Um ano ou outro a gente consegue, como em 2010, quando cresceu 7,5%. Mas é difícil porque as restrições na economia talvez não permitam isso. Restrições do mercado de trabalho, da infraestrutura", diz a fonte.

Mas, continua, a visão é de que o potencial de crescimento se mantém o mesmo dos últimos quatro a cinco anos. A fonte observa que, nos momentos de maior euforia, diversas instituições chegaram a estimar taxas de crescimento potencial acima daquela enxergada, por exemplo, pelo Banco Central (BC). Hoje, ao contrário, haveria um pessimismo exagerado em relação ao potencial.

A questão da restrição ao crescimento pelo fim da disponibilidade de absorção de mão de obra em larga escala (o que só era possível quando a taxa de desemprego era muito mais alta) é plenamente reconhecida pela equipe econômica, diz a fonte. Mas há compensações.

A média de anos de estudo dos brasileiros com mais de 25 anos saltou de 5,6 em 2000 para 7,2 em 2010. O salto em pontos porcentuais foi maior do que o da China no mesmo período (de 6,6 para 7,6) ou da Índia (de 3,6 para 4,4).

Além disso, a taxa de investimento no Brasil de 2000 a 2006 era de 16,3% do PIB. De 2007 a 2012, está na faixa de 18,7%.

Produtividade. Na questão da produtividade, a fonte, mesmo reconhecendo os problemas da indústria, nota que há avanços notáveis na agricultura e em segmentos dos serviços, como telecomunicações e o sistema financeiro. Na agricultura, nos últimos dez anos, o crescimento anual médio da produção foi de 5,3%, e o da área plantada de apenas 1,4% - o que indica um forte salto na produtividade.

O membro da equipe econômica nota ainda que o limite de 4% para o crescimento é algo do momento atual, e nada impede que possa ser aumentado num prazo de cinco a seis anos.

Para isso, porém, é fundamental que seja bem sucedida a atual agenda da presidente Dilma Rousseff de concessão de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, de barateamento da energia elétrica, de redução da carga tributária e de expansão do investimento público, com contrapartida de encolhimento das despesas correntes.

"O Brasil não está condenado a ter um PIB potencial que não possa se expandir a médio prazo, mas, para que isso aconteça, o governo tem de ser bem sucedido naquela agenda", diz a fonte.

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