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Expansão de crédito não reduz ameaça de inflação

Se a política de crédito pode ser um poderoso instrumento contra a inflação, os dados do Banco Central não permitem pensar que essa política tenha encontrado sua tática adequada.

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

Com efeito, temos na margem um crescimento, em abril, de 1,3% do saldo dos créditos, que, assim, atingem 46,6% do PIB. Em certos pontos do relatório sobre o crédito aparecem algumas melhoras, mas elas não parecem suficientes para garantir a austeridade necessária à contenção da inflação, que hoje está, aliás, em terreno favorável para provisoriamente oferecer um quadro menos hostil.

A notícia de que até o dia 13 de maio o volume de crédito cresceu 1,4% já é uma razão para refrearmos a tranquilidade diante dos dados de abril. E o crescimento dos meios de pagamento ampliados em 12 meses (19,2%) - o maior do período - indica que o crédito dispõe de fonte propícia para o seu crescimento.

Enquanto o crédito das pessoas jurídicas (PJs) teve crescimento de 1,1%, o das pessoas físicas (PFs) aumentou 1,5% (mês). A diferença tem origem no afrouxamento do crédito direcionado, que cresceu apenas 1%, embora apresentando aumento de 3,1% do crédito imobiliário (3,2%, se acrescentarmos também as operações com recursos livres), com uma evolução que poderá mais tarde se constituir em problema.

É necessário dar maior atenção ao crédito livre, sobre o qual as autoridades monetárias somente podem ter um controle indireto. O crédito livre responde por 30,5% do PIB.

Não há dúvida de que as medidas macroprudenciais tiveram algum efeito sobre essas operações. O saldo dos créditos aumentou 1,6%, tanto para as PJs quanto para as PFs. No entanto, quando se consideram as concessões acumuladas no mês, observa-se um recuo de 3,8%, no caso das PJs, e de 2,3%, no das PFs. Para as primeiras, é provável que o custo do crédito se tenha tornado insustentável: 31% ao ano e diminuição de apenas 0,3%, em virtude da incerteza sobre a evolução da conjuntura. Para as PFs, o aumento foi de 1,8%, com taxa média de 46,8% ao ano e elevação de 5 pontos porcentuais em relação a um ano atrás - lembrando que nessa taxa média está incluída a do crédito consignado, cuja taxa foi de 28,5%, ante 65,6% para outras operações.

O prazo médio nas operações livres é crescente, tanto para as empresas (342 dias) quanto para as famílias (567 dias), e não se coaduna com uma política de contenção de inflação. Todos esses fatos deixam uma dúvida sobre a dose de seriedade da política de contenção do crédito.

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